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Palladium propõe segurança sem privacidade

25 de julho de 2002, 0:00

Plataforma de segurança propõe controle através da dependência entre software e hardware, sem permitir que o usuário escolha instalar um programa pirata. O primeiro grande teste será com o Windows.

Por Nenhum

Paulo Rebêlo

Com o advento do Windows XP e o polêmico recurso de “ativação do produto”, a Microsoft quis saber se você é você mesmo – na eventualidade de um upgrade de hardware, por exemplo. A próxima versão do Windows, a substituir o XP em 2004 pela previsão oficial, deverá ir ainda mais longe: você não sabe o que é melhor para seu computador.

O novo Windows, codinome Longhorn, promete causar ainda mais polêmica do que o XP. Entre as novidades, há o padrão “Microsoft’s Trustworthy Computing”. Em tradução rasteira, a computação segura Microsoft, que dentro do Windows também atende pelo nome de Palladium.

Diferentemente da ativação do XP, a computação segura proposta pela Microsoft consiste em uma plataforma integrada e interdependente entre software e hardware. As fabricantes terão que mudar a arquitetura dos chips caso queiram usufruir do Palladium.

Para quem acha que tudo não passa de invenção de Bill Gates, vale lembrar: a iniciativa de “computação segura”, nesses moldes de interdependência, faz parte de um projeto liderado por Intel, HP, IBM e Compaq. Trata–se do Trusted Computing Platform Alliance, a TCPA.

Intel e AMD já começaram a desenvolver novos processadores feitos sob medida para o Palladium.

PIRATARIA –

Com o Palladium, copiar DVDs e CDs protegidos por copyright será, em tese, impossível. Os discos serão vendidos com um código que, ao detectar a arquitetura da TCPA, informará a todo o sistema (software e hardware) que o conteúdo pode ser reproduzido, porém nunca copiado.

Por ser uma proteção intrínseca ao hardware, mesmo que você disponha de uma programa hacker para quebrar a segurança dos discos – como ocorre com o DVD – o sistema operacional irá bloquear a operação, pois o próprio processador se recusará a dar qualquer instrução que não seja a de reproduzir o conteúdo.

O mesmo vale para a indústria fonográfica, que poderá vender músicas para download as quais você não conseguirá compartilhar pela internet ou gravar em CDs. Ou disponibilizar em sistemas P2P.

Parece ótimo para o mundo dos direitos autorais, e talvez realmente o seja. O revés, porém, é que os fundamentos do Palladium/TCPA podem restringir as liberdades do usuário. Ao integrar software e hardware em uma arquitetura única contra a pirataria – e que pode ser controlada remotamente e sem o seu conhecimento – o sistema operacional se encarrega de apagar todos os seus programas não–licenciados. Sem perguntar.

Ao menos é essa a proposta debatida hoje pelo consórcio. O pouco que se sabe sobre a arquitetura do Palladium é que a mesma funcionaria como uma espécie de sensor eletrônico. Quando um processo considerado ilegal pelas empresas detentoras dos direitos autorais for detectado, a ordem é deletar. E delatar, talvez?

Hoje, você pode instalar qualquer programa no seu computador: aplicativos comprados nas lojas, retirados da internet, ferramentas hackers. Com a tecnologia do Palladium, não será bem assim.

As coordenadas do Palladium não são para um futuro distante. Já existe e está em uso. O Xbox, console de videogames da Microsoft, e a própria ativação do XP, integram um formato reduzido das especificações do Palladium. Desde maio/2002, a série Thinkpad de notebooks da IBM também vem com as especificações.

Com o próximo Windows o cenário tende a mudar ainda mais, porque ele poderá ser instalado somente em computadores cujas placas/periféricos estejam certificados pela TCPA. Para muita gente, a “computação segura” da Microsoft poderá servir para tornar ainda mais inseguro o sigilo de seus arquivos pessoais. [Webinsider]

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