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Medidas práticas para só entrarem os happy few

16 de julho de 2002, 0:00

Com tanto penetra na festa de seu inbox, a saída é criar uma lista de convidados e deixar o leão de chácara automático separar quem não tem convite. Depois você olha com calma para ver se não cometeu injustiça.

Por Nenhum

René de Paula Jr

Em que prateleira será que eu coloquei? Se é que está naquela estante e não em outra… Enfim, qualquer hora dessas eu encontro aquele Spinoza e finalmente o leio de cabo a rabo. Se bem que… na última semana chegaram mais dois livros da Amazon que só tirei da embalagem para mal e mal acomodá–los nas pilhas dos livros que não tenho onde enfiar.

Será que um dia eu dou conta desse backlog livrístico? Só se eu cometer um belo crime e for preso, condenado a uns bons anos de xadrez. Já sei: posso virar um justiceiro do mundo online e executar spammers. Seria uma causa nobre.

Meu inbox padecia até semanas atrás desse efeito bola–de–neve. Avalanches de mensagens bizarras soterravam os e–mails de amigos, que ficavam ali em hipotermia até que eu cavucasse muito e os trouxesse de volta ao sol. E as mensagens intrusas não só se multiplicavam a cada dia, como se sofisticavam na malandragem, autênticos penetras de caixa de entrada.

Tenho dó de quem hoje tem que “vender o peixe” do e–mail marketing. Séculos atrás eu insinuei que e–mail ia virar incommodity, ou seja, algo sem diferencial e ainda por cima chato. Acertei, infelizmente.

Penetras offline têm um inimigo natural: o leão–de–chácara, aquele personagem de poucos amigos que não só checa se você faz parte dos happy–few como ainda te revista à procura de nem sei o quê. Um porre pra quem não está na listinha, mas um sossego
para os eleitos.

Seguindo mais ou menos essa linha adotei uma precaução básica no meu software de e–mail, e que funcionou tão perfeitamente que imperfeito mesmo foi só o pretérito do verbo padecer que usei há pouco. Vou dividir esse ovo–de–colombo com vocês, e deixar os penetras à míngua.

Easy like sunday morning: crie uma pasta no teu inbox e chame–a como quiser: amigos, VIPs, etc. Crie um filtro de mensagens que faça o seguinte: se o remetente fizer parte do teu address book, desvie a mensagem pra pasta nova. O resto? Que caia na vala comum. Pronto. Você tem um leão–de–chácara barrando os caras–de–pau, e a tua pasta vip fica uma beleza. O segredo final é manter o teu address book atualizado. O resto fica por conta do filtro.

A diversão acaba sendo dar uma vista d’olhos na massa de mensagens rejeitadas e ver os penetras esperneando pra chamar tua atenção: subjects enganosos, apelos em caixa alta, promessas impossíveis, attachments duvidosos…

(Já estou imaginando os protestos dos defensores do “imêiel márquetchin”. Vão me dizer que isso é um tiro no pé, que isso vai contra a mídia online…. Sorry, colegas, mas o tiro no pé já foi dado, e o tiroteio pédico só faz aumentar. Ou a gente asfixia os spammers, ou então e–mail vai se tornar inviável.)

Well, está dada a minha dica em prol da nossa sanidade mental. Façam bom proveito.

O que eu tanto queria com o livro do Spinoza? É um texto que diz que parte da nossa infelicidade vem de achar que as coisas são infinitas, que o prazer é infinito, que o tempo é infinito. Felizmente nada é infinito: todo prazer se sacia, o dia só tem 24 horas, nossa memória tem limites, e até mesmo o círculo de pessoas que podemos tratar como “amigas” não vai tão
longe assim.

Acreditar no contrário é sofrimento na certa. Ou no mínimo um rombo no cartão de crédito por conta da Amazon. [Webinsider]

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