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Fernand Alphen
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Spam, I love you

15 de julho de 2002, 0:00

O marketing one–to–one que se pratica não é muito diferente.

Por Fernand Alphen

Rola muita polêmica por conta dessa prática. Polêmica essa que beira a hipocrisia: ninguém gosta mas muitos usam e abusam.

Fundamentalistas falam em atentado à privacidade, rabos presos preferem o eufemismo CRM, anarquistas cantam o réquiem do e–mail.

Vamos aos argumentos.

Se mandar e–mail não solicitado é atentado à privacidade, o que dizer da minha caixa de correio, a física, que vive entupida? O que dizer da propaganda eleitoral gratuita que entra na minha casa na hora em que estou de cueca na frente da TV? O que dizer da CPMF, do exame médico para freqüentar a piscina e do gordo ridículo da academia que passa talquinho obscenamente nas partes? Em tempos de Reality Shows, coisa mais antiga essa de falar de privacidade!

Mas existem técnicas sofisticadas para fazer um marketing de relacionamento one–to–one. Spam com cartas de nobreza. É mais sofisticado, informatizado, cheio de regras e graças, segmentações, etc. Maravilhas da moderna tietagem pelos gurus do marketing. Mas na maioria das vezes, o verniz cai na primeira análise. E CRM vira mídia de massa com endereçamento postal. Em outras palavras, spam.

Finalmente, há aqueles que falam que o spam está incontrolável, prejudica a rede, os servidores e o diabo a quatro. Sei lá e tanto faz. Que inventem então algo mais maravilhoso que o e–mail para substitui–lo. Apocalípticos à la Gilder não estão mais na moda.

Minha posição é mais simples:

1) Spam funciona.

2) Se posso conviver com os odores nauseabundos do Tietê, o que são 200, 300 mensagens não solicitadas na minha caixa postal?

3) Se as contas de e–mail estão difíceis de administrar, vamos ensinar como funcionam os filtros anti spam, vamos comprar mais e maiores servidores – mais banda também, e vamos deixar de pão durismo.

4) Como tudo na vida, como tudo na web, qualquer tentativa de enquadrar e proibir dá com os burros n´água.

5) Vamos continuar nos revoltando contra correntes indesejáveis, piadas de mau gosto e e–mails do iBest. A estratégia é educativa.

6) De vez em quando eu morro de rir com alguns spams. E mais vale uma boa gargalhada do que mil discursos inflamados e teorias empoladas.

7) Vamos deixar de ser frescos.[Webinsider]

Sobre o autor

Fernand AlphenFernand Alphen (falphen@fnazca.com.br) é diretor de Branding, Planejamento e Pesquisa da F/Nazca S&S e mantém o Fernand Alphen?s Blog.

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