O e-mail não está bem e deixou uma mensagem
24 de junho de 2002, 0:00Em um relato confuso, tÃpico de quem está sobrecarregado e em dúvida sobre o sentido da vida, o e–mail conta como anda deprimido nestes últimos meses.
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Nasci nos conturbados anos 70, da rebeldia, da revolução sexual e de Woodstock. E agora morro nesse inÃcio de século, de uma doença social que o desenvolvimento ainda não conseguiu curar.
Foi tudo muito previsÃvel, infelizmente. As primeiras vÃtimas foram atribuÃdas a outras doenças. Muito tem sido investido em pesquisas para descobrir a cura, mas, para mim, não veio a tempo. Medidas preventivas são a única escapatória, porém, nem sempre seguidas. E quando menos se esperava, virou uma epidemia.
O último dia não foi muito diferente dos que passei nos últimos anos, depois da infecção. Começou cedo, antes mesmo do primeiro café. Aliás, como sempre, pois a vida descontrolada não respeita horários. O pior (a gente se acostuma) veio de alguém cujo rosto nem conheço. E, agora sei, também nunca mais verei. A proposta não era nada demais, mas o bom papo conseguiu envolver. Logo depois foi a Candy. Sim, a Candy, que vem sempre no mesmo horário e ainda assim consegue surpreender. Desta vez trouxe amiga, várias amigas! E foi assim pelo resto da manhã…
De vez em quando, aparecia um barbado. Como a porta já estava escancarada, valia tudo. Afinal, temos que viver o dia como se fosse o último. E aquele foi.
Meus conhecidos continuavam aparecendo, tentando chamar a minha atenção, mas não adiantava, eu já estava atolado demais. Era tão bombardeado que os rostos amigos tornaram–se também estranhos. Briguei com vários e tirei–os da minha vida. No fundo, sabia que eles eram bons, mas, a confusão já estava instalada.
O golpe de misericórdia veio no final da tarde, no horário de trabalho mesmo. Foi uma dose tão grande que não agüentei. Devia ter uns 10 megas. Nem tive tempo de ver quem foi, mas sei seu nome. Ouvi naqueles últimos momentos antes de apagar definitivamente… um tal de Spam.
Naquele dia, parei para não voltar mais. Desisti…de agora em dia, só vou usar telefone ou correio convencional. [Webinsider]

