Quem é que fica?
12 de junho de 2002, 0:00Sobre construir relacionamentos. De verdade.
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Tu sai com uma garota, uma vez, duas vez, três vez. Daí, tu já pode dizer que “ficou”. Tu tá de “fico” com a mina. Daí, se seu broder perguntar, tu responde assim: ó, essa mina é minha “ficada”. Mas não vacila, mano. Se ‘ficar” mais de 5 daí não é mais um “fico” não. Que que é, nem sei. Só sei que é coisa de coroa esse lance. O que liga agora é “ficar” e “ficar” é bem pouquinho. Pegou?
É assim não é? Sei lá. Não entendo direito. Só sei que o que se vê por toda parte é isso que podemos chamar do “marketing da troca de saliva”.
Esse marketing é mais ou menos assim: o que interessa sou eu. Eu, eu e eu. Só interessa o eu. A era do narcisismo extremo. Mas dou outro nome a isso. Não é narcisismo. É onanismo ou se preferem, é masturbação.
“Ficar” é mais ou menos uma punhetação com parceiro. Faz ali aquele “fico” de 3 ou 4 “ficadas” e já parte pra outra. Bate uma e vira a página. Aquela lá cansou, gastou.
Lembram daquele filme em que a mulher fica enojada quando o cara resolve fazer sexo com ela? “Como assim, trocar líquidos? Que coisa primária!”
Pois na era do virtual, pensem comigo, “ficar” é mais legal. Você “fica” com o computador mesmo. Você “fica” com o ICQ, com o celular. Sem sair de casa. Sem gastar com o motel.
Cada um “ficando”, na sua. Sozinho.
Sei não. Nada contra a masturbação do “ficar”, só não chamem isso de relacionamento. Não é.
Relacionamento é aquela coisa de construir e destruir juntos. É aquela de ouvir e falar, falar e ouvir. De dividir e conjugar. Regar plantinha, juntinhos. Viver para o outro e querer morrer por ele.
E nisso, são muitas e muitas “ficadas”. Tantas “ficadas” que você nem “fica” mais com o outro. Você “é” o outro e o outro “é” você.
Pense nisso e fica com essa, mano.
Entre uma e outra “ficada”. [Webinsider]
