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Alvaro de Castro
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Pagando o pato

02 de maio de 2002, 0:00

Cuidado com novos impostos que podem ser criados contra a pirataria. Você vai acabar pagando a conta.

Por Alvaro de Castro

A pirataria musical no mundo está chegando a tal extremo que a indústria está solicitando nos EUA que se aumentem os impostos para compensar as perdas.

Na semana passada, a RIAA (Recording Industry Association of America) esteve no congresso americano para solicitar medidas e sistemas contra a pirataria, além da criação de impostos. A organização pediu também recursos para a criação de esquadrões para um programa chamado CHIP (Computer Hacking and Intellectual Property), que iria se especializar no combate à pirataria digital.

Por outro lado, países como Canadá ou Dinamarca, criaram taxas especiais que incidem exclusivamente sobre CDs virgens. No caso do Canadá o problema é pior: a taxa agora também incide sobre os gravadores, que ganharam estupendos 20 dólares extras no seu preço devido à tal lei.

O argumento aqui é que, como não se sabe se o aparelho será utilizado para criar um CD pirata, então paciência, que paguem todos. Em outras palavras: pagam justos e pecadores.

O argumento para transferir a conta da pirataria a todo o público pagador de impostos é que o dano atinge a todos. Nas palavras de Hilary Rosen, presidente da RIAA, a pirataria “diminui o incentivo à criação de música. Assim, não deve ser vista como um crime somente contra compositores, intérpretes, músicos, gravadoras, distribuidores e vendedores, mas contra cada um de nós”.

Segundo a organização, o número de pessoas presas por pirataria cresceu 113% de 2000 a 2001. E no ano passado foram apreendidos 2,8 milhões de CD–Rs piratas, contra 1,6 em 2000. Este salto assusta a RIAA, que identifica os quatro maiores países em pirataria: Brasil, China, Rússia e México.

Por coincidência são todos países pobres, o que alimenta o argumento de que a pirataria é reflexo de baixo poder aquisitivo, o que leva o público a preferir um produto falsificado visivelmente inferior.

O mundo é dividido entre pobres e ricos mas a indústria não parece entender isso. E se aparecer algum legislador aqui decidido a copiar a idéia e inventar alguma lei semelhante? Ou simplesmente aumentar impostos (para aqueles poucos que os pagam) de modo a compensar perdas decorrentes da pirataria.

Tantas vezes o contribuinte já pagou contas que não eram suas, como no caso de bancos falidos, para ficar apenas em um exemplo. Vamos ficar de olho para não pagar mais este pato.
[Webinsider]

Sobre o autor

Alvaro de Castro (acastro@kviar.com) é empreendedor.

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