Encontro de webdesign teve boas apresentações
29 de abril de 2002, 0:00Profissional de arquitetura da informação vai ao 4º Encontro de Web Design. Encontra boas palestras e uma fila de webmasters e webdesigners para tirar carteirinha de uma associação recém–fundada.
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O 4º Encontro de Web Design, realizado sábado 27 de abril, em São Paulo, foi relevante para o pessoal mais voltado para a usabilidade e interessante em geral. Mesmo que pouco tenha se aprofundado em usabilidade. Pelo contrário…
A primeira palestrante, Tatiana Kligerman, foi muito bem e falou de estratégia. O assunto foi sobre como a criação do projeto é imensamente importante na concepção de um site. Foi de longe a apresentação mais consistente e interessante do evento.
Uma grande dificuldade do profissional desta área é educar o cliente, bem como a equipe web, sobre a necessidade de planejamento estratégico para o desenvolvimento de um projeto. Tatiana mostrou a importância do envolvimento da arquitetura de informação já no processo de planejamento, além de dar dicas muito interessantes sobre como apresentar o projeto ao
cliente – elaborar um projeto detalhado, atentar a possíveis problemas e criar um plano de ações que permita um período de implementação possível e que ajude no cálculo do valor deste trabalho.
Assim como ela, os palestrantes mencionaram arquitetura da informação, mas apenas de passagem, sem aprofundar nem um pouco. Como se dissessem que “isso todo mundo está careca de saber”. Mesmo? Hummmm…..
Suzana Apelbaum falou de marketing e mostrou todas aquelas coisas lindas, pulantes e girantes que infernizam as discussões sobre usabilidade em propaganda.
Fez uma analogia interessante entre o adolescente na puberdade e a propaganda online, onde ambos sofrem de inseguranças e enfrentam mudanças rápidas. O que reinou na apresentação foram os banners bacanérrimos de agências de publicidade (sim, aqueles que ganham até prêmios em Cannes!). Mas nada – nada mesmo – foi tão incrível e surpreendente quanto um acontecimento bastante chocante para o público.
Suzana explicava determinada campanha de uma empresa varejista de roupas, para a qual foi criado um site no estilo Geocities, feito por um pseudo–fã da modelo que representa essa marca.
O tal site divulgava um vídeo super exclusivo da modelo. O vídeo vazou para sites de fãs, chats etc. e teve um retorno incrível. A palestrante mencionou o nome de um sujeito que até mandou e–mail agradecendo muito por ter recebido o vídeo. Eis que um cara no meio da platéia fala: “Ei, eu sou essa pessoa” e começa o maior bate boca…
O sujeito falou que foi enganado, que ia processar e tal… Sim, era uma encenação, mas até que a situação teatral fosse revelada, grande parte do público estava boquiaberta. Excelente demonstração de como se deve levar em consideração implicações legais e possíveis impactos no usuário na hora de escolher a estratégia de marketing e o canal de comunicação. Bastante ilustrativo. O espectador indignado era o diretor de arte :–).
René de Paula Jr falou de CRM e design centrado no usuário. Foi bem complementar às duas palestras anteriores e interessante ao “desmistificar” o CRM como o santo graal que pareceu um dia. René mostrou o CRM como estratégia, não como um software ou hardware que você adquire. Ele q–u–a–s–e puxou o assunto para usabilidade, mas senti que o negócio do pessoal era falar de marketing.
Pedro Mozart pareceu quase matar os flasheiros de plantão ao fazer uma apresentação incrivelmente simples e comedida sobre o tema Grandes e Pequenas Coisas na Criação. Foi bastante conceitual e acredito que o principal a ser extraído (no contexto de webdesign) é a necessidade de atentar a detalhes. Alinhamento, composição, cores… coisas de designer, o que evidencia a necessidade de conhecimento para efetuar um projeto, não um Photoshop…
Ana Carolina Alvarez foi muito feliz ao falar em e–commerce e o papel do webdesigner como agente de integração entre ferramentas de e–commerce, de publicação e de todo o resto.
Interessante notar que ficou bem distinta a concepção de que soluções de e–commerce e publicação de conteúdo são ferramentas, módulos agregáveis à estratégia, não um fim imutável. O bacana disso foi que ela não quis pensar em algo mirabolante com criar uma ferramenta nova toda vez que se cria um site, mas utilizar ferramentas que existem e integrá–las, atentando ao usuário e como este se relaciona com aquelas. Nota dez!
Senti que o público em geral perdeu um pouco o interesse porque ela começou a detalhar bastante esses tantos pontos que integram a questão de como interface e conteúdo interagem com o usuário; prato cheio para discussões de arquitetura de informação e usabilidade. Os participantes da lista de discussão WDUse que não compareceram teriam gostado bastante! Pena que não houve espaço para perguntas com mais detalhamento. Aparentemente o público não foi muito receptivo à questões relacionadas ao tema, exceto os obcecados dessa lista que estavam lá.
Os Nielsenianos de plantão ficariam muito felizes de ver o livro 50 Websites Desconstruídos à venda por R$ 96 e muito desconstruídos ao ouvirem Luli Radfahrer chamar o Sr. Jakob de… bem, não posso reproduzir o comentário (sim, cabeludo!). Mas calma, como diria um bom profissional de AI, veja isso no contexto… Sem dúvida, se você considerar historicamente o tanto de tecnologia explorada na web, o Nielsen é “demasiado categórico” com certas limitações impostas por seus “mandamentos” (mas não vamos entrar no mérito…)
A palestra do showman Luli foi, primeiro, capaz de deixar o público novato encantado. E conseguiu, com centenas de piadas e brincadeiras, transmitir o conceito valioso de que não se deve focar na tecnologia, mas na idéia por trás dela.
Agora um momento que estava mais empolgada em reportar… Abraweb! O que seria o “lançamento nacional” programado para acontecer naquele 4º Encontro de Web Design? Vão recrutar webdesigners e imprimir carteirinhas?
Dito e feito. Não sabia que era uma sensitiva e tinha o dom da premonição, mas ao chegar ao Maksoud Plaza me deparei com uma enorme fila de webdesigners afoitos em se cadastrar e receber carteirinhas personalizadas. Achei um tanto divertido que a minha suspeita tivesse sido correta, mas fiquei preocupada.
Eventualmente o Sr. Edson Romão Gomes, presidente da Abraweb, foi ao palco para definir a associação e mostrar uma apresentação em Flash do logotipo. A que vieram, exatamente? Infelizmente não havia tempo e Gomes teve que correr para falar. Em resumo, o que ele tinha a dizer é que a missão da Abraweb é “defender os interesses dos profissionais envolvidos no desenvolvimento e manutenção de ambientes virtuais interativos” e que pretende funcionar como um fórum para esses profissionais discutirem assuntos inerentes à profissão.
Ok, o discurso é bom, a idéia é boa, mas sabe quando você continua com uma pulga atrás da orelha? Agora que eu sou uma webdesigner e webmaster de carteirinha, posso dizer com segurança que não sei o que pode definir um webdesigner, muito menos um webmaster.
Até mesmo na breve introdução ele disse “…não sei definir, mas…” e sua apresentação listava uma gama de “atributos” e “características” que “sabíamos” serem atribuídas a esses profissionais. Como o primeiro item era “saber HTML” decidi que não valia a pena tentar saciar minha sede em descobrir que raios eles realmente pretendem neste momento. Frustrante e preocupante (para ser breve). Por favor, leiam, cadastrem–se, oficializem o seu status de webdesigner e webmasters e, mais do que qualquer outra coisa, analisem o discurso
no site da Abraweb.
O evento todo foi bem interessante. Aparentemente o 5o encontro acontecerá no Rio de Janeiro em junho, mas a informação não é oficial. Espero que algo de inovador possa acontecer até lá, se não na internet em si, pelo menos nos profissionais tupiniquins. [Webinsider]



