Ainda sobre copyright, por outro ângulo
25 de abril de 2002, 0:00Independência ou morte: cantor fez muito sucesso e depois chegou a um impasse com sua gravadora. Saiu, gravou dois CDs distribuÃdos em bancas e está vendendo bem. Ele é a favor do MP3.
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Não adianta fugir: se você é um criador intelectual, seja de que tipo for, a questão do copyright sempre estará presente na hora de publicar, exibir ou cobrar pela sua obra. Os direitos autorais nunca foram tão discutidos quanto nesses tempos de internet – que o diga a repercussão provocada pelo artigo sobre Copyleft publicado há algum tempo aqui (veja ao lado).
A discussão sobre direitos autorais e ética é importante e envolve amplamente a internet. Então vamos prosseguir, hoje com uma entrevista com um nome emblemático na relação entre o autor e as grandes empresas detentoras de copyright.
Conversamos com Lobão, o cantor e compositor que rompeu com o esquema tradicional de gravadoras, criou sua própria produtora e lançou seus CDs em bancas de jornais. Não foi o primeiro a usar este canal, mas foi bem sucedido. Não se arrependeu e agora vê o mesmo esquema paralelo adotado também por diversos artistas, como Supla, Titãs e Beth Carvalho, através de gravadoras ou de forma independente.
Lobão também faz bom uso da internet ao manter um site com notÃcias, fotos e músicas para download.
Webinsider – O que levou você a pular fora do esquema das grandes gravadoras?
Lobão – A exaustão completa de todas as maneiras ortodoxas de se negociar com uma gravadora. Em outras palavras, não havia mais outra saÃda a não ser pular fora e tentar imprimir o meu ritmo no meu trabalho. Eu senti que se não o fizesse, estaria acabado; eles perderam totalmente o faro e o bom senso também. Mas quem sabe isso passa, não é?
– Com quantas gravadoras você trabalhou antes de ir à luta por conta própria?
– A BMG, durante dez anos, com praticamente todo o meu repertório, Gravei um disco pela Virgin e outro pela Universal.
– De quantas cópias foram as tiragens de A Vida é Doce (o primeiro CD de Lobão a ser vendido nas bancas, em 2000) e Uma Odisséia no Universo Paralelo? Quantas cópias foram vendidas até agora de cada um desses dois CDs?
– A Vida é Doce saiu com uma tiragem de 50 mil, para depois repetirmos mais 50 mil logo em seguida. Vendemos as 100 mil cópias. Com Odisséia, que saiu no carnaval, é a mesma coisa. Estamos agora na primeira tiragem, indo muito bem, chegando a 20 mil cópias vendidas.
– Está valendo a pena?
– Sim, claro, com toda a certeza.
– Se está dando certo como parece, por que não há outros cantores seguindo seus passos? (Com a exceção dos Titãs e do Supla – ou não, pois eles ainda trabalham com gravadoras)
– Pelo que me consta, isso não procede. Afinal de contas, tem a Beth Carvalho que está indo muito bem; tem o Karnak, o Marcelo D2, o Falamansa, Harmonia do Samba… Enfim, pelo que me consta, a banca hoje em dia já é uma realidade concreta.
– Mas esses artistas são independentes, ou ainda estão vinculados à s gravadoras?
– A Beth está independente neste momento, o projeto do D2 e do Karnak também é independente, o Supla começou independente, fora o Wagner Tiso que lançou no ano passado independente nas bancas, e ainda tem o Dr. Sin. Basicamente o que eu conheço é isso, fora os outros artistas de gravadoras que também estão adotando este modelo.
– Você é contra ou favor do Napster, Audiogalaxy, Kazaa, Morpheus, ou seja, desses programas que compartilham MP3? Por exemplo, só no Audiogalaxy, podem ser encontradas 318 referências a você – mas algumas delas estão vetadas (o que costuma acontecer quando o artista ameaça processar os criadores do site). Você proibiu a veiculação de alguma música sua por esses programas?
– Não, claro que não proibi. Inclusive, sempre procuro disponibilizar ao máximo. Sou totalmente a favor.
– É possÃvel sobreviver de direitos autorais no Brasil quando você trabalha para terceiros (no caso de músicos, grandes gravadoras)
– Não. Definitivamente, não. [Webinsider]
