Recife reforma centro antigo com banda larga
08 de abril de 2002, 0:00Casarões históricos com impostos estreitos procuram hospedar até o fim do ano 100 empresas ligadas à tecnologia da informação. Vinte já estão se instalando.
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Na reportagem anterior, vimos um pouco sobre o Porto Digital, pólo tecnológico que pretende alavancar a economia pernambucana e espalhar um pouco a concentração de profissionais qualificados para fora do eixo Rio/São Paulo.
As reformas estruturais no coração do Recife antigo são outras vertentes em progresso. Os prédios históricos do bairro, muitos dos quais estavam abandonados e esquecidos durante anos, estão sendo reformados sem perda histórica. O local onde fica o pólo possui uma herança arquitetônica datada do século XVII, quando os holandeses ainda controlavam a região até serem expulsos em 1654. É uma saga de boêmia e guerra.
As empresas podem alugar salas, andares ou até edifícios inteiros para as instalações. Os cabos de fibra ótica estão em fase final de implantação na área coberta pelo Porto Digital, a fim de que todas as empresas instaladas tenham acesso em banda larga à internet e estejam interligadas entre si. São 25 quilômetros de dutos subterrâneos, supervisionados por um consórcio envolvendo Telemar, Embratel, Vésper e Eletronet.
“O mais gratificante é perceber a intenção se transformando em realidade. Mesmo assim, devido ao patrimônio histórico do local, não podemos fazer muitas modificações nos casarões e edifícios, além de ser preciso manter algumas coisas inalteradas, como o piso de madeira. Mas não haveria lugar mais apropriado e interessante,” afirma Fábio Silva, presidente do Porto Digital.
É evidente que não existe almoço grátis. Investidores e empresários de TI sabem quão difícil é abrir um núcleo ou escritório fora do eixo Rio/São Paulo. Como em qualquer outro setor, o sucesso da ambiciosa estratégia do Porto depende, talvez até na essência, de incentivos não apenas do ponto de vista do profissional e da remuneração, mas especialmente dos lucros e retornos financeiros às empresas.
Em geral, os impostos sobre os lucros das empresas em Pernambuco são de 5%, mas aquelas que estiverem na área do Porto Digital pagam no máximo 3%. O governo oferece ainda outros incentivos fiscais para as companhias de TI que criarem projetos envolvendo inovação tecnológica ou recursos humanos.
Ou seja, há uma dependência forte de iniciativas locais e externas, mas sobretudo dos incentivos fiscais.
O governo de Pernambuco abriu um fundo de capital de risco e, em abril do ano passado, qualificou por decreto a Associação Núcleo de Gestão do Porto Digital como uma OS (Organização Social). E com as eleições de outubro a caminho e a possibilidade de um novo governo, como fica a situação dos incentivos? Para Fábio Silva, não deverá haver retaliações, pois seria um contra–senso. A opinião de Silva tem uma base sólida, pois, engana–se quem pensa que é ação de caridade ou politicagem; mas sim a aposta em uma promissora galinha dos ovos de ouro.
De acordo com o Instituto de Planejamento de Pernambuco, em pesquisa realizada durante o mês de dezembro de 2001, são quase 600 empresas locais de informática atuando no mercado. O perfil do ecossistema tecnológico no estado revela que tais empresas foram responsáveis por R$ 172,2 milhões em lucros durante 2001. Para este ano, os lucros previstos são de R$ 223,6 milhões.
De 1995 até hoje, o número de empresas de TI cresce a uma média de 10% ao ano. O cenário econômico presencia uma constante mutação e a tendência é mudar ainda mais, principalmente para atrair novas empresas. A previsão da Secretaria de Ciência e Tecnologia é de que haja pelo menos cem delas devidamente instaladas até o final deste ano.
No momento, são cerca de vinte, entre elas: Oracle, Softex, Vanguard, Procenge, CESAR, Newstorm (criadora do Notitia), Axon, Centro Brasileiro de Energia Eólica, Segment, Plug Networks, Cartello, entre outras. A Martorelli Advogados, por exemplo, resolveu direcionar um escritório – já operacional – para tratar de Direito da Informática.
“O setor de TI brasileiro é um mercado de 15 bilhões de dólares, representa metade do mercado latino–americano. Temos aqui um fuso horário eqüidistante entre Europa Ocidental e Leste Americano; possuímos um padrão de vida invejável para qualquer executivo de primeira linha. Logo, o Porto Digital está pronto e consolidado a receber qualquer nova embarcação,” defende e garante Cláudio Marinho, Secretário de Ciência e Tecnologia de Pernambuco.
Marinho também aposta na interiorização do Porto Digital, ou seja, a expansão das iniciativas e do mercado para o sertão. Das quase 600 empresas de TI, são quase 100 instaladas fora da capital, no interior do estado. Para interiorizar o mercado, o Porto Digital pretende apostar em centros tecnológicos como pontos de presença para qualificação profissional e fechamentos de negócios.
A inclusão social é outro fator presente. Quando os tempos áureos do porto de trinta anos atrás começaram a esvair, a cidade foi testemunha do crescimento da Favela do Pilar. Em março deste ano, foi inaugurada na favela a Escola de Informática e Cidadania do Pilar.
Um dos objetivos é treinar os moradores da comunidade em TI para que eles possam oferecer seus serviços às empresas instaladas no Porto Digital. A escola foi aberta e é mantida com o auxílio do Fundo de Capital Humano, em parceria com o Comitê para a Democratização da Informática (CDI), que tem sede no Rio de Janeiro.
Na primeira geração de alunos, são cerca de 800 moradores que já começaram a aprender noções básicas de informática, Windows, Word, Excel, técnicas de programação e desenvolvimento de software, aulas de inglês e administração. Ao final de cada curso, todos recebem um certificado Microsoft.
Com a cooperação da prefeitura e da Caixa Econômica Federal, o Pilar ganha ainda o benefício da construção e da melhoria das habitações e da infra–estrutura do bairro. Com recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST), o Instituto Porto Digital pretende criar redes de bibliotecas abertas à população, equipadas com computadores para acesso gratuito à internet.
O Instituto Porto Digital é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Publico – são as chamadas OSCIPs. O instituto tem como principal papel gerenciar e tratar dos eventos de cunho filantrópico e social do Porto Digital.
A transformação em OSCIP deve atrair ainda mais o setor empresarial: a lei nº 9.249/95 determina que pessoas jurídicas têm dedução no Imposto de Renda até o limite de 2% sobre o lucro operacional das doações efetuadas às OSCIPs. A Receita Federal inclui as Organizações como aptas do benefício das deduções em junho de 2001. [Webinsider]

1° david Data: 23/06/2007 às 21:33
Atividade: estudante
Cidade: fortaleza
parabéns!