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De maio de 68 para cá, a que ponto chegamos

18 de março de 2002, 0:00

Lançamento de livro com textos da Internacional Situacionista, que influenciaram a revolução estudantil de 68 na França, provoca uma revaliação mais que apropriada da Nova Economia.

Por Fábio Fernandes

Não dá pra dizer “parece que foi ontem”: afinal, os eventos de maio de 68 já vão completar 34 anos. Mas os primeiros fios brancos que começam a despontar na cabeleira da revolução estudantil (que começou em Paris e cujos ecos foram ouvidos nos EUA, na Itália, na Inglaterra e no Brasil, para citar apenas alguns países, com uma rapidez impressionante numa época em que internet era ficção científica) não tiram a juventude das idéias que circularam por bocas e cabeças na França de então.

A atualidade dessas idéias pode ser conferida no lançamento mais recente da Coleção Baderna (Conrad Editora): Situacionista – Teoria e Prática da Revolução. Esse livro é uma antologia que reúne os três textos mais traduzidos e influentes da Internacional Situacionista, organização revolucionária cultural criada em 1957 e que tinha como um de seus membros Guy Debord, autor do livro A Sociedade do Espetáculo, já comentado aqui na lista de livros para entender o século XXI (veja ao lado).

A Internacional Situacionista desempenhou um papel crucial nos eventos de maio de 68. O primeiro texto do livro, A Miséria do Meio Estudantil – Considerado em Seus Aspectos Econômico, Político, Psicológico, Sexual e, Mais Particularmente, Intelectual, e Sobre Alguns Meios Para Remediá–la, foi escrito em 1966 sob encomenda de um grupo de estudantes da Universidade de Strasbourg e é o mais contundente em sua crítica do conformismo da classe estudantil. Crítica essa, entretanto, que é estendida a todos os setores produtivos da sociedade, que colaboram para um sistema que pouco ou nada lhes dará em troca, a não ser a ilusão de promoções e dinheiro extra.

Alguma semelhança com o mundo em que vivemos?

Um simples artigo não é suficiente para analisar um texto com a profundidade de A Miséria do Meio Estudantil – e este é apenas o primeiro de cinco que o livro apresenta. Mas talvez seja hora – principalmente depois do fim da “bolha” e das ilusões provocadas pelos grandes investimentos na internet – de reavaliarmos o nosso papel nesta sociedade capitalista cada vez mais selvagem. Que, ao que parece, não melhorou em nada desde as barricadas de Paris.

Será mesmo que é tão impressionante assim a atualidade desses textos? Afinal, depois de outro evento de importância capital para a humanidade (a queda do Muro de Berlim e o conseqüente fim da União Soviética), a aparente vitória do capitalismo fez muita gente suspirar de alívio: afinal, agora o perigo de sermos invadidos por comunistas a soldo de Moscou acabou. Não corremos mais o risco de nos transformarmos num estado totalitário e burocrático.

Ou será que – de uma forma um pouco mais sutil – já não nos tornamos esse estado de que tanto tínhamos medo, pela via de uma globalização desequilibrada (de caráter basicamente tecnológico, mas sem tocar na questão da distribuição de terra ou de renda) e de uma Nova Economia que de nova não tem nada a não ser a web (pois as estratégias de downsizing e terceirização estão tirando os empregos de muita gente)?

Livros como Situacionista podem nos fornecer uma pista importante sobre nosso passado para, quem sabe, fazermos algo de útil com nosso futuro. Nunca é tarde demais para tomar uma atitude. Pense bem nisso. [Webinsider]

Sobre o autor

Fábio FernandesFábio Fernandes (zeroabsoluto@gmail.com) é jornalista, escritor e tradutor. Mantém o blog Pós-estranho.

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Comentários

1 pessoa comentou o artigo "De maio de 68 para cá, a que ponto chegamos"

mayra Data: 08/10/2006 às 16:33

Atividade: estudante

Cidade: brumado

preciso do material pois sou estudante de historia

Avisos
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