A literatura independente foi para a rede
28 de janeiro de 2002, 0:00Quem disse que ler na tela não tem graça? Revistas literárias online tomaram o lugar das publicações artesanais underground e envolvem um grande número de autores e leitores.
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Nem só de palavras impressas em papel sobrevive a literatura contemporânea. Escritores, conhecidos ou amadores, já adotaram a internet como novo meio de difundir pelo mundo suas histórias, contos, poesias, crônicas ou romances.
A facilidade de produzir uma publicação online, com baixos custos e muita interatividade, faz com que alguns amantes da literatura produzam sua própria editora digital, dando espaço e visibilidade para algumas obras que certamente ficariam restritas ao seu autor.
Há muitos exemplos. No Brasil, a revista eletrônica Proa da Palavra foi uma das pioneiras nesse tipo de publicação. No primeiro semestre de 1997, o então estudante de publicidade em Porto Alegre Daniel Galera resolveu unir duas paixões, internet e literatura, e incentivar o trabalho de novos autores. Segundo Daniel, no início a publicação recebia material de três ou quatro colaboradores por semana. A revista ganhou popularidade, circulando na rede até agosto de 2000. Nestes três anos e meio de atividades a “Proa” conquistou cerca de quatrocentos autores.
Outra revista literária online é a Nave da Palavra, atualizada quinzenalmente desde abril de 1999. Com o objetivo de difundir a literatura nacional, o site recebe a colaboração de qualquer pessoa interessada em publicar seu poema, conto, crônica ou artigo. A escolha do material a ser publicado fica por conta dos editores da revista. Atualmente, a “Nave da Palavra” já recebeu textos de mais de quatrocentos autores, inclusive de pessoas de outros países. Além disso, o site também oferece resumo de livros e textos integrais de consagrados autores brasileiros.
Mesmo com o nosso difícil e restrito mercado editorial, alguns autores conseguiram sair do mundo “underground” da literatura digital. No ano passado, o escritor André Takeda publicou pela editora Conrad o romance “Clube dos Corações Solitários”, que surgiu primeiramente na revista online TXT Magazine, da qual é editor. Segundo informações do prefácio do livro de Takeda, a “TXT Magazine”, que tem mais de um ano de existência, recebe mil e quinhentos leitores por semana.
O sucesso dessas e de outras dezenas de revistas literárias demonstram o quanto existe no Brasil, assim como no resto do mundo, um público interessado em fazer literatura e um outro público interessado em consumir literatura. E o mundo online possibilita que não fiquemos restritos às prateleiras das livrarias, aos autores renomados e às resenhas dos grandes jornais. Também no ramo literário existe esse sentimento de independência produzido pela internet. Basta se interessar. [Webinsider]

