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Uma proposta para a fluidez das informações

27 de janeiro de 2002, 0:00

Nem sempre o bom e velho html dá conta de ajudar o leitor a encontrar a informação que precisa, picotada em milhares de sites. Portais de busca e indexação em XML poderiam resolver vários problemas de uma só vez.

Por Nenhum

Sandro Friedland

Imagine que a web, em vez do jeito que é hoje – uma grande quantidade de informações desconexas e espalhadas em sites diferentes –, fosse um grande repositório de informações XML, indexadas, ordenadas e classificadas, a serem recuperadas em sites especializados que lançariam mão de novos recursos de construção de conhecimento como os de Business Intelligence, para apresentá–las ao usuário de uma maneira nova.

O paradigma da web foi criado em um ambiente de banda estreita e protocolo dedicado a transmissão de dados estáticos. O html, uma linguagem de marcação extremamente simples e limitada, ao longo do tempo foi recebendo vários adendos e atualizações cheias de tropeços e códigos proprietários, com a intenção de melhorar a apresentação das páginas.

O próprio Tim Berners–Lee (veja ao lado A mãe de todas as páginas), que não sabia que a web se tornaria o fenômeno que se tornou, disse certa vez que estava preocupado com o uso em massa do html, pois este “não era apropriado para o consumo humano”, por ser muito difícil de administrar muitos hiperlinks em sites grandes.

O conceito de páginas com hiperlink nos obriga a navegar em “blocos” de informações. O protocolo http não permite que carreguemos apenas um trecho escolhido de uma página. Quando clicamos em âncoras de html, (aqueles links precedidos pelo símbolo #) o browser carrega a página inteira, mesmo que esta tenha vários megabytes, e a informação que desejamos apenas algumas linhas de texto.

O conjunto de páginas interligadas entre si tem o nome de site web. Geralmente acessamos o site da empresa tal, da ONG tal, o site de fulano, sicrano etc. E isto pode ser muito interessante para conhecer cada um deles individualmente, mas e se desejarmos obter uma informação específica que não é representada por nenhum link?

Nesse caso entra o papel dos mecanismos de busca, como o Google. Entretanto, a pesquisa nos sites de busca vêm se dificultando cada vez mais, pois por melhores que sejam os engines, não dão conta de catalogar os mais de 32 milhões de domínios na internet.

Talvez as soluções estejam no formato xml, que surgiu como uma alternativa para o html. A diferença entre eles é que o html faz a marcação de estilos de texto, enquanto o xml faz a marcação de classes de informações.

Um ingrediente de uma receita de bolo seria marcado assim: “farinha de trigo“. Isto cria uma flexibilidade muito grande para manipulação de dados, por isso hoje em dia o xml é utilizado principalmente para aplicações específicas dentro da programação.

Entretanto, imagine a web como uma coleção de documentos xml catalogados, indexados e ordenados, prontos para serem consultados sob demanda.

Tomemos um exemplo de um site sobre cães beagles – digamos, um site chamado beagles.com, especializado em informações sobre como cuidar, alimentar e criar um beagle. Produzido por uma pontocom provavelmente criada por um aficionado. Um site com um público tão segmentado talvez tenha dificuldades em encontrar anunciantes interessados.

Outro problema do beagles.com seriam os gastos com a manutenção de uma equipe especializada e dedicada exclusivamente ao site. Um designer, um programador e um redator para escrever o conteúdo seriam uma equipe mínima. Bastante dispendioso, considerando a pequena audiência do site.

O que fazer? Desistir de publicar estas informações, que poderiam ser úteis a alguém? E se este site passasse a vender apenas o que ele tem de melhor: o seu conteúdo?

Um híbrido de portal e sistema de busca (portais–busca) seria o responsável pela recuperação destes dados armazenados nos outros sites, recriando a informação de acordo com a necessidade do usuário no momento. Por fim, faria a apresentação destas informações de acordo com a melhor disposição possível, de uma forma sensível ao contexto delas.

Para o usuário, as possibilidades seriam muito maiores, pois ele não teria que sair “pulando” de site em site atrás de informações específicas, apenas para encontrá–las espalhadas em lugares diferentes. Ou pior, não encontrando o que deseja de forma alguma.

Para os designers, seu trabalho mudaria sobremaneira. Ao invés de criar interfaces “estanques” para sites específicos, o desafio seria muito maior –diagramar pensando nas características intrínsecas de cada assunto vendido, pensando nas interligações (links) criadas dinamicamente a cada pesquisa.

Por exemplo: um usuário deseja encontrar dados sobre a comparação das raças fox paulistinha e beagles. Esta informação é bastante específica, e talvez não esteja disponível diretamente – pois ninguém deveria ter publicado um trabalho sobre isso. Mas em compensação, textos a respeito das duas raças existem aos milhares!

Por comando do usuário, o portal–busca vai criar um texto customizado, criado a partir do cruzamento das informações pesquisadas em sites sobre o fox paulistinha e em sites sobre o beagle (inclusive o nosso beagle.com, que conseguiu ganhar seu dinheirinho). E por fim, o usuário recebe em sua tela este texto customizado.

Este poderia ser o fim dos confusos portais horizontais, com a sua profusão de informações e uma multidão de links do lado esquerdo para assuntos os mais variados possíveis, nem sempre úteis para o usuário. E muito menos, as famigeradas (e anacrônicas) “barrinhas de navegação” que as páginas internas dos portais são obrigadas a colocar em suas páginas.

Sem dúvida, as bases de conhecimento em XML iriam revolucionar a forma como lidamos com a web. E também mudar a cara das iniciativas pontocom, ao apresentar uma chance para pessoas que tem o que dizer na web, de fazê–lo sem precisar se preocupar com a forma, apenas com o conteúdo. [Webinsider]

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