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Dossiê comenta crescimento maquiado da Cisco

24 de janeiro de 2002, 0:00

A Cisco Systems, que em seus melhores dias chegou a ter valor de mercado de US$ 430 bilhões e hoje está em US$ 154 bilhões, representa uma das maiores perdas já sofridas por acionistas de uma empresa.

Por Nenhum

Julio Daio Borges

O suplemento da Business Week, no jornal Valor, acaba de publicar uma reportagem de capa (leia aqui) sobre a situação da ex–superpoderosa Cisco Systems, a corporação que, um dia, chegou a ser a mais valiosa do planeta.

Trata–se de um quase dossiê investigativo, esmiuçando as manobras contábeis e o delírio coletivo que permitiu à empresa, por 43 meses consecutivos, superar as expectativas de Wall Street, atingindo um valor de mercado de US$ 430 bilhões e taxas de crescimento de 70% ao ano.

Um dos ingredientes da fórmula mágica da Cisco, em plena “bolha”, envolvia a aquisição de pequenas e promissoras organizações de tecnologia, que já haviam arcado com custos e riscos de desenvolvimento. Nessa brincadeira, foram empenhados US$ 5,4 bilhões nos últimos cinco anos, inclusive em situações absurdas onde o dispêndio por funcionário (da organização adquirida) beirava os US$ 24 milhões. Desnecessário acrescentar que, tão logo o negócio era fechado, muitos dos “novos talentos” pulavam fora, deixando a Cisco a ver navios.

Para não assustar seus acionistas com cifras desse porte, a megaempresa não registrava, em seus livros, os bilhões envolvendo “fusões e aquisições”, lançando–os como “pesquisa e desenvolvimento” – o que, no exercício subseqüente, resultaria em lucros ainda maiores, produzidos “a partir do nada” (leia–se a custo zero). E isso é só a ponta do iceberg.

A cada fim de trimestre, para não frustrar as expectativas de Wall Street, caminhões eram carregados com o máximo possível de mercadorias que, contabilmente, eram registradas como “vendidas” – a fim de alcançar, até a meia–noite, o faturamento desejado.

Não obstante, muita gente mantém a mesma fé na Cisco. A começar pelo CEO, no cargo há 7 anos, John Chambers. E a terminar pelo acionista (as ações do ex–gigante da tecnologia – apesar de tudo – equivalem a 95 vezes o lucro estimado para 2002). É o que se chama jogar alto. E pensar que o “nosso problema” é a Argentina. [Webinsider]

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