O iMac II é a reinvenção do futuro
11 de janeiro de 2002, 0:00Conceito é tudo para a única empresa de computadores que tem público radicalmente fiel e apaixonado – por seus produtos, suas atitudes e suas contribuições para o desenvolvimento da informática.
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Perdoem–me pela dupla redundância, mas a Apple inovou de novo. No último dia
8 de janeiro, Steve Jobs colocou, novamente, o mundo dos computadores
pessoais de cabeça para baixo. O iMac II, como é chamado o desktop da Apple
Computer voltado para o usuário doméstico (apesar de ser tão eficiente que
seu predecessor é largamente utilizado em agências, produtoras e empresas de
comunicação) foi apresentado pelo CEO da empresa como um eletrodoméstico,
que dentro de poucos anos será utilizado em larga escala. Ok, mas por quê?
A aposta é que num futuro muito próximo nosso estilo de vida será digital e
todos os aparelhos eletrônicos que utilizamos no dia–a–dia como TV,
aparelhos de som, câmeras fotográficas, filmadoras, telefones, DVDs, MP3
players (entre eles o recém lançado iPod da Apple), serão comandados de uma
única estação, e através dela obteremos o conteúdo, vindo da internet, a ser
repassado aos periféricos. Até o conceito de conectar–se à internet passa a
ser ultrapassado no iMac II. Ele só é o que é pela e para a internet.
A começar por seu design desafiador e terminar no processador G4 de 800 MHz,
o iMac II é o resultado da desmaterialização do que Ferdinand de Saussure,
um dos construtores do pensamento semiótico, chamaria de ‘imagem acústica’
do signo computador, ou seja, ao ouvir a palavra computador o usuário de um
macintosh não tem a mente tomada pela imagem daquela caixa bege, com um
monitor CRT (de tubo de raios catódicos) também bege, mouse e teclado, beges
novamente. Paradoxalmente o computador perde a representação formal e passa
a ter como ’significado’ suas inúmeras possibilidades de interação.
Já era este o objetivo quando a primeira linha de iMacs foi lançada em junho
de 1998, introduzindo no mercado o conceito do visual translúcido, o fim dos
disquetes (o que na época foi tido como absurdo, mas quem ainda usa estes
disquetes que têm tão pouca capacidade de armazenamento?) e o formato
compacto, onde a CPU divide com o monitor um mesmo compartimento.
Agora, depois de 6 milhões de iMacs vendidos, o estilo foi aprimorado. A
base arredondada, com 30 cm de diâmetro, que abriga a CPU e se conecta ao um
monitor flat de cristal lÃquido por meio de uma articulação de aço cromado
lembra uma luminária, daquelas que vendidas aos montes na segunda metade do
século passado, originais ou copiadas da escola alemã Bauhaus. A luminária
que também é marca da PIXAR, a produtora de animação para TV e cinema, de
Steve Jobs, e serviu de pretexto para alguns espertinhos afirmarem que “já
sabiam” como seria a novidade. Tudo especulação, já que, aliada ao design
sempre provocante, a discrição do branco e a ausência de cores fortes também
é uma tendência Apple, que tem em seus dois modelos de notebook a sobriedade do
branco e do titânio. Apenas o desktop do Power Mac G4 permanece com mais de
uma cor, em tons de cinza, ainda assim muito discreto.
E os inconvenientes? Os mesmos de sempre: escassez de aplicativos,
principalmente de jogos, que ajudaram a popularizar o computador nos lares
de todo o mundo, o baixo número de usuários (aproximadamente 5% do mercado
mundial) e o principal deles, o preço. Pelo menos para nós, escondidos aqui
em baixo do planeta, os produtos Apple chegam sempre com o triplo de seu
preço em dólar. Um inconveniente que só se resolve com uma fabricação
tupinquim, sonho antigo dos macmanÃacos, mas que por enquanto está fora dos
planos da matriz. Todavia, aos poucos esses problemas são resolvidos, novos
aplicativos são lançados (para o novo sistema operacional, o Mac OS X, já
são mais de 2.500), e o Macintosh passa a ser mais acessÃvel para o público
em geral e não só para os nichos publicitário e artÃstico.
O iMac II é, enfim, mais uma grande tacada da única empresa de computadores
em todo o mundo que tem um público radicalmente fiel e apaixonado, por seus
produtos, suas atitudes e suas contribuições para o desenvolvimento da
informática. Ontem com o computador pessoal, a interface gráfica, o disquete
e a adoção do mouse, hoje com os aplicativos de criação, edição e saÃda de
arquivos digitais (CDR e DVDR), como música, fotografia e vÃdeo, que a Apple
batizou de Hub Digital.
Novamente, não há como evitar o futuro. [Webinsider]

