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Michel Lent Schwartzman
Web à vista

A web é a ponta do iceberg

07 de janeiro de 2002, 0:00

Melhores formas de conexão vão permitir que as pessoas fiquem ligadas 100% do tempo na internet. Isso muda tudo.

Por Michel Lent Schwartzman

Da série antiga, 30/06/1999

É uma simples mudança tecnológica. Não chega a ser uma descoberta devastadora, ainda mais perto do que a gente tem se acostumado a ver nos últimos anos nesse mundo techie. Um pequeno detalhe: dentro de mais algum tempo vamos ter conexões dedicadas para a internet 100% do tempo, em casa, no trabalho e no meio da rua.

Olhando assim, de cara, pouco parece mudar. Afinal de contas, muita gente hoje em dia já tem boas conexões de internet no trabalho e alguns mais privilegiados já tem em casa também. Mas este detalhe tem o potencial de redefinir ainda mais o mundo e a sociedade de uma forma nem todo mundo imagina.

Hoje quando pensamos em internet, a palavra WEB vem na cabeça da maioria. Apesar da internet já existir há mais de 20 anos, efetivamente foi o World Wide Web que transformou a rede na grande comunicação popular planetária atual. Uma interface gráfica, teoricamente fácil de se navegar, transformou o planeta e a forma como nos comunicamos em menos de cinco anos.

É sem dúvida uma revolução extraordinária, ainda mais se levarmos em consideração como é chata, lenta, complicada e desinteressante a internet atual. Muito texto na tela (quem afinal lê alguma coisa?) e imagens pontilhadas. ‘Flash’ é o grande barato e ainda assim é bobo que dói. Um baita paliativo para uma mídia verde, que não chegou a sua maturidade. Internet é chato mesmo, ainda mais concorrendo com tantas outras formas de entretenimento e informação. Ainda assim, com todos estes podres, ela é o que é. Quem há de questionar?

Falando assim acho que fica fácil compreender por que tanta gente está anunciando uma revolução ainda maior nas relações humanas, na economia e na sociedade de uma forma geral. Se a internet complicada e lenta do jeito que é hoje, causa toda esta confusão, imaginem quando ela for rápida, ininterrupta, com boa qualidade e fácil de usar como uma torradeira?

Boa parte do que tem se noticiado ultimamente em todo o mundo e mais recentemente no Brasil é justamente sobre as mudanças na forma como a internet vai chegar até nós. A briga pela construção dessa infra–estrutura é das mais ferozes. Seja por telefone, cable modem, rádio, ou eletricidade, basicamente estão sendo criadas inúmeras alternativas ao acesso discado, que hoje é a forma utilizada pela maioria dos internautas da rede. Em um curto período de tempo, teremos diversas opções para acessar a rede, de forma muito mais veloz do que as atuais e com o detalhe principal: a conexão será dedicada e ininterrupta.

Nas condições da internet hoje em dia, é muito mais simples a gente ligar para 102 e pedir uma informação pelo telefone, do que ir até o site da Telefônica e fazer a pesquisa usando o formulário que eles têm lá (quem já usou?). Isso não devia fazer sentido pensando que o formulário dá muito mais opções, permite várias consultas e sobretudo é grátis. Mas faz todo sentido se você pensar que para chegar neste formulário, você tem que ligar o computador (precisa ter um), esperar o Windows carregar, tentar às vezes quatro ou cinco vezes até conseguir conectar com o seu provedor, abrir o seu browser, digitar o endereço da Telefonica, esperar, esperar, esperar e achar o link dentro da página. É claro que frente a esse quadro, o melhor é ligar para 102 e conseguir a informação que você precisa.

Pois então, com um pouco de tecnologia e alguma imaginação, é fácil a gente chegar a um aparelinho da própria Telefônica que fica acoplado ao telefone e oferece o 102 e inúmeras outras informações através de uma telinha (alguém aí falou em Minitel?).

Coloque a internet via rádio e no meio da rua – quando precisar de alguma informação é só puxar seu aparelinho portátil e ver notícias, procurar mapas e outras coisas (eu juro que alguém gritou Palm VII…). No trabalho, conecte–se via internet com sua geladeira e faça um download da lista de compras para o seu PDA. É papo de MIT, eu sei.

O que eu quero dizer basicamente é que com estas pequenas descobertas ou ‘juntamentos’ tecnológicos (considerando que a tecnologia já existe e só estamos juntando uma coisa com a outra) vão redefinir a forma como devemos pensar nossas empresas, nossos produtos, nossa informação e nossa relação com o consumidor. Dentro deste novo quadro, a nossa querida web vai ocupar algum canto num dos diversos aparelhos nessa casa conectada e vai deixar de ser a única e central vedete da internet como estamos acostumados hoje em dia.

Em pouco tempo, vamos deixar de discutir sobre resolução 800×600 ou 640×480 e vamos ter que quebrar o coco para fazer o conteúdo caber em uma tela de algum PDA da vida, provavelmente em 120×400 pixels, quem sabe até em 2 cores ao invés de 256.

Passando uma linha embaixo, a mensagem que fica é a seguinte: a web é apenas a ponta do iceberg. Ela nos apresentou a internet e por isso somos muito gratos, mas é bom a gente se acostumar com o fato de que em algum momento no futuro próximo ela pode deixar de ser a vedete principal desta nova forma de comunicação, se misturando a outras mídias ou simplesmente se pulverizando entre os novos aparelhos de acesso à internet que estão surgindo.

Dentro deste novo panorama, a discussão sobre plugins, resoluções e cores continua pertinente, mas é importante a gente não gastar tempo demais com isso e pensar como se posicionar quando o resto da geleira começar a aparecer no horizonte. [Webinsider]

Sobre o autor

Michel Lent SchwartzmanMichel Lent Schwartzman (michel@lent.com.br) é publicitário e especialista em mídias interativas.

Apoio:

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