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Governo faz novela com PC popular

24 de dezembro de 2001, 0:00

O Ministério das Comunicações anunciou o abandono do projeto do computador popular destinado às escolas e bibliotecas públicas, sob o argumento de que o preço dos PCs caiu no Brasil. Sites publicam o contrário.

Por Nenhum

Paulo Rebêlo

As bibliotecas, escolas públicas e a comunidade de informática brasileiras agradecem o apimentado presente de Natal do Ministério das Comunicações: o abandono do projeto de um computador popular ao custo estimado em R$ 600.

Para o ministro Pimenta da Veiga, o projeto do computador popular deixou de ser uma necessidade em decorrência da queda de preços no setor de informática do país.

Em resumo, toda a celeuma sobre a adoção de sistemas com códigos abertos ou fechados nos computadores foi por água abaixo. Inúteis as preparações de escolas e bibliotecas públicas que, supostamente, receberiam os equipamentos a partir de 2002.

Ao mesmo tempo, na primeira semana de janeiro foi possível ler, em alguns sites noticiosos brasileiros, o anúncio de que o PC Popular estaria pronto em até 120 dias. O suposto aparelho chegaria às escolas públicas e bibliotecas dotado de Linux, navegador Konqueror e um flash card para substituir o disco rígido.

Quem acompanha a novela desde o início, sabe que esse modelo é o primeiro apresentado pela UFMG, um protótipo para funcionar como um espécie de netbox, e não como computador pessoal.

No vocabulário do ministério, o protótipo da UFMG foi antes classificado como computador tipo C, enquanto os tipos A e B teriam disco rígido e Microsoft Windows ME. Daí toda a confusão entre código aberto x código fechado na hora de usar dinheiro público na educação.

O interessante, agora, é que se o leitor for procurar pelas notícias que deram como certo a chegada do PC Popular em até 120 dias, não encontra mais. Nem mesmo nos arquivos dos sites em questão.

PREÇOS –– Em todo o mundo, o preço de equipamentos de informática caiu. Entretanto, ao contrário do argumento oficial, o efeito não chegou ao Brasil, onde o sobe–e–desce do dólar mantém o patamar de preços relativamente estável.

As pequenas empresas, geralmente as que trabalham com venda de equipamentos sem marca, sentem o peso da insegurança cambial na pele e tendem a garantir um pouco da receita em aumentos dosados e estudados.

Grandes fabricantes mostraram interesse no projeto do PC popular, porém, faltaram os primeiros passos, as parcerias e as licitações. Como tantos outros conhecidos projetos de administração pública, o investimento no PC Popular foi para no lixo, pelo menos até agora. Foram para o espaço os investimento em estudos de viabilidade, pesquisa, publicidade e as discussões sobre plataformas.

Segundo o ministro Pimenta da Veiga, apenas a idéia do PC Popular já teria causado um impacto benéfico na indústria, ao estimular a redução de preços porque as empresas teriam medo da concorrência do aparelho financiado pelo governo. Então agora é assim que as coisas funcionam?

O problema, contudo, é que o PC Popular não é uma idéia exclusiva do governo, mas sim em parceria com empresas privadas e a partir de uma pesquisa (após investimento externo) da Universidade Federal de Minas Gerais.

Em janeiro de 2001, o governo apresentou o protótipo da UFMG do computador de R$ 600 com acesso à internet, processador de texto etc. O aparelho foi motivo de apaixonadas reportagens na mídia internacional, entre os principais jornais e revistas estrangeiros.

No decorrer do ano, não houve o anunciado estímulo à indústria nacional de informática e o dólar aumentou. A estimativa de preço subiu para R$ 950, próximo ao preço de PC comum comprado nas prateleiras. A produção foi adiada para 2002, na melhor das expectativas.

E depois afundou. [Webinsider]

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