O futuro do burro atrás da cenoura
21 de dezembro de 2001, 0:00Opinião: os visionários de verdade padecem de solidão e não são aqueles que têm artigos publicados em revistas de administração e negócios. A função destes é seduzir os operários do mundo corporativo.
Por
O futuro. Negócios Exame reuniu, em sua edição de despedida, sete grandes cérebros para opinar sobre o que virá. A regra de ouro é duvidar sempre desse tipo de prognóstico. Não porque seja difÃcil acertar ? afinal sempre é ?, mas porque as publicações invariavelmente convidam sujeitos em fim de carreira (ou no penúltimo estágio dela), sem muito interesse, portanto, em revolucionar alguma coisa.Trocando em miúdos: eles não vão querer mudar o jogo que os fez vencedores. Quem cria o futuro, de fato, está muito mais preocupado em fazer a coisa acontecer, sem tempo para discorrer sobre conceitos que a maioria ainda não domina ou nem sequer assimilou.
O futuro, ou as bases para ele, assim sendo, só existe na cabeça de algumas pessoas ? e certamente elas não vão botar a boca no trombone. É preciso lembrar que os verdadeiros visionários padecem de extrema solidão (pois ninguém crê neles), passando muito longe da popularidade dos heróis das capas de revista, como a Exame.
A impressão mais freqüente que se guarda desses textos que descrevem as casas, os empregos, os automóveis do futuro é a de que se faz necessário seduzir os operários do mundo corporativo a fim de que eles alimentem alguma esperança de estabilidade. A mesma que jamais alcançarão.
É como a isca do condutor de muares: os animais jamais irão abocanhá?la, mas correrão atrás dela enquanto tiverem pernas e disposição para tal. Os mitos foram criados, na Antigüidade, para aplacar o medo e a dor.
Do mesmo modo, as grandes empresas forjaram os seus: para infligir, em seus empregados, justificados sofrimentos e corretivas humilhações. A diferença é que o homem do século XXI acredita ter evoluÃdo enormemente ? embora, volta e meia, caia em lorotas como essa: sobre o futuro. [Webinsider]



1° Ericson Data: 01/12/2009 Ã s 19:10
Atividade: Médico administrador
Cidade: Nova Iguaçu
Concordo plenamente, pena que só descobri isso aos 31 anos. Mas ainda dá tempo. Parabéns!