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Fernand Alphen
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Auto ajuda e clonagem

21 de dezembro de 2001, 0:00

Fuja da mídia de massa e dos cursos idiotas.

Por Fernand Alphen

Texto da série antiga, de julho de 99

Outro dia fui assistir uma aula em uma dessas faculdades que despejam anualmente milhares de desempregados potenciais no mercado. Saí de lá aterrorizado.

Outro dia folhei uma dessas revistas que entulham as mesas dos marketólogos. Algumas páginas depois, arremessei a maldita no lixo, apavorado.

Outro dia, estava conversando em uma roda de executivos. Depois de duas formuletas “a nível de globalização e sinergia” emudeci até o final.

O mundo está estranho mesmo.

Nas escolas se ensinam modelos e mais modelos apodrecidos expressos por professores cansados quando não caducos.

Nas empresas, engole–se literatura barata e normatizante. Compêndios de auto–ajuda escritos nas coxas de gurus aposentados.

Nos happy hours arrotam–se as duas babaquices anteriores com ares de winner e bolso de looser.
É que no fundo, no fundo, está todo mundo apavorado com a velocidade das transformações. E nessa sociedade que cobra sucesso e onde este sucesso significa sucesso material, a gente se agarra à primeira bóia jogada ao mar. Dá pra entender. Só que não funciona.

Esse negócio de reproduzir modelos antigos, cartilhas e dogmas é pouco e bobo.

Os compêndios de auto ajuda são para o homem moderno o que o rosário e a penitência são para o retirante da seca. É que o paraíso é outro, mais palpável e se chama sucesso material. É que os santos são outros e se chamam Bill Gates ou Jeff Bezos. É que os templos são outros e se chamam Shopping Centers ou quinta avenida. Mas na prática toda essa classe meeira, esses leitores de gráficos e adágios econômicos, esses crachás humanos são retirantes travestidos.

O que estes não viram é que os tais gurus, os tais modelos foram premiados com o sucesso exatamente pela capacidade que tiveram de não reproduzir modelos. Capacidade de criar. Capacidade de transgredir. Os Bill Gates, Bezos, Soros, J.P. Lehman são grandes subversivos, isso sim.

Pois quando se estudam os modelos, o objetivo não deve ser jamais de aprendê–lo mas sim de entendê–lo. Mas não, as escolas, as empresas, os meios de comunicação não ensinam a entender mas a aprender. Não ensinam a criar mas a copiar. Não ensinam a pensar mas a executar.

E como é que se ensina a pensar? Pois pensar é igual a criar. Esse povo que lê essas revistas estúpidas muito melhor faria se aprendesse a pintar, escrever, tocar fagote, a cozinhar ou a fazer tricô. De que serve aprender tricô se devo me preocupar a aumentar a participação de mercado do meu produto? Não sei, mas tente porque com certeza, aquelas fórmulas que você acha que está dominando, além de serem igualmente usadas pelos seus concorrentes, já são velhas quando chegam às prateleiras ou à redação das suas revistas favoritas.

É assustador verificar que o grande motor da mídia de massa é a sua capacidade intrínseca de clonar a mediocridade. E o mais engraçado é que chamam isso de democratização do conhecimento. Pois mais parece uma democratização da estupidez. O mesmo vale para as escolas e sua voracidade comercial de produzir robôs em série. E as empresas transformando humanos em cartões de ponto.

Fuja das escolas, fuja da mídia de massa e fuja dos cursos babacas. Compre um cavalete e lambuze os dedos. Compre um Bashô e feche os olhos. Compre um cavaquinho, um triângulo, um apito. Seja homem! [Webinsider]

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Sobre o autor

Fernand AlphenFernand Alphen (falphen@fnazca.com.br) é diretor de Branding, Planejamento e Pesquisa da F/Nazca S&S e mantém o Fernand Alphen?s Blog.

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Comentários

7 pessoas comentaram o artigo "Auto ajuda e clonagem"

Willer Data: 14/11/2006 às 15:29

Atividade: atendimento web

Cidade: sao paulo

Fernand,

Concordo e coloco minha opinião da seguinte forma: é sim difícil de se entender como isso acontece, surge, cresce, se apodera e apodrece nas cabeças de muitos por aí. Claro! São pessoas totalmente descartáveis assim como são descrevidas tais pessoas em Clube da Luta. É tudo fake e ordinário, mas…o que não seria de tudo isso sem eles? Sem estes acontecimentos? É muita lição. É muito didático, por mais ironico que seja a situação. Fazer o que, existem pessoas e pessoas. A água e o óleo. Prefiro continuar sendo agua. E não industrial de preferencia…

Abraços! Ótimo artigo, e sugeriria mais sobre tal.

Rogerio Data: 14/11/2006 às 18:07

Atividade: Designer

Cidade:

O importante é ser feliz.
e dinheiro…
NÃO traz felicidade.

Marco Gomes Data: 16/11/2006 às 9:12

Atividade: Programador de Interfaces

Cidade: Gama

Ótimo texto, eu não havia lido este ainda. Parabéns.

Fuja da escola é o melhor, essas Fa-Fi-Fos vendendo diplomas são uma VERGONHA.

gabriel tosi Data: 17/11/2006 às 18:41

Atividade:

Cidade:

Não sei como falar isso, mas é estúpido. Todos os seus comentários, estúpido. E o pior, eu fugi da escola e da universidade. Porque? Pelo mesmo motivo que você, Ferdinand, alega em seu artigo: pensamento positivista empodrece o homem. Nunca fui e nunca serei de acordo com este pesamento, sou mais Gilberto Freire ou Suassuna. Ou então, mais sociólogo ao dizer que não é o meio em si mas sim como nos relacionamos com ele. Mídia de massa? Para aqueles poucos que não têm nada a fazer a não ser ficar em casa. Escola faz robôs? Somente para os muitos que admitem e são passivos a qualquer coisa.

Agora, você não é marqueteiro? Então, porque é diretor de planejamento e branding? Vai ver, porque se formou em engenharia, aí todo o sentido de jogar uma revista/matéria de marketeiro no lixo.

Sou tão burro e ignorante quanto qualquer outra pessoa que sabe, ou pior, que diz saber.

Como o seu artigo tocou muito comigo por eu me identificar com essa última frase: fujam da escola, das universidades e dos livros pois fiz isso.

A você, Ferdinand, um conselho: não coloque mais palha na fogueira pois já nos basta o índice de analfabetos.

Um grande abraço,

Gabriel Tosi

Junior F. Parulla Data: 19/11/2006 às 19:53

Atividade: Arquiteto de Redes Wireless

Cidade: Cuiabá-MT

Concordo com vc Fernand. O sistema é muito burro mesmo. Agora dão oportunidades para todos terem acesso a universidade, só para os idiotas, pois o conhecimento pode ser adquirido via Internet. Ir hoje a uma faculdade, dependendo do curso é perda de tempo e dinheiro, pois se aprende muito mais hoje com a Internet, pois vc fica livre do transito, de professores chatos e arrogantes, de uma maioria mediocre e por aí vai. Se Alguem quer um conselho, fuja da escola, o mais rapido possivel, antes que vc seja mais um robozinho emprestavel.
excelente matéria, me inspirou muito. Abraços.

gabriel tosi Data: 21/11/2006 às 10:50

Atividade:

Cidade:

Fernand,

Teminando o que comecei:

Fuji da escola, percebi a estupidez e voltei para terminar o que tinha começado.

Se você não é forte e inteligente o suficiente para sobreviver sem faculdade, façam uma faculdade; afinal de contas, pelo menos fica na mediocricidade.

Abraço,

Gabriel Tosi

LOreno Data: 01/08/2009 às 0:42

Atividade:

Cidade:

É que no fundo, no fundo, está todo mundo apavorado com a velocidade das transformações.
Não compreendo esse ícone do pós-moderno: o da velocidade de transformações.
Já tive uns dois breaks e sinceramente, as coisas não tem mudado tão rápido assim. Fui e voltei e em 5 anos sem contato com um pc e quando voltei foi fácil me adaptar a vida de usuária. Não só da rede como de toda ação cidadã. O mundo não mudou tanto assim. A velocidade é de informação, não transformação. Repare. Compare o Brasil da década de 90 com o Brasil de hj. O culto aos 80´s!!! 90´s, até o hj, já está caracterizado: já tem seus ícones, conceitos, estereótipos de tempos modernos do agora, hightech. up-to-date: sua própria descrição o é. Na verdade, este mundo está é muito lento e chato. A expectativa é a rede.

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