Problemas na evolução do jornalismo online
19 de dezembro de 2001, 0:00Nos portais noticiosos brasileiros, a reprodução de releases de assessorias de imprensa gera um mar de notÃcias iguais. O interessante é que a opinião vem justamente de uma jornalista assessora de imprensa.
Por
No embalo do aniversário de dez anos da primeira página criada para a internet, nos Estados Unidos, devemos também refletir sobre como as notÃcias de caráter jornalÃstico vêm sendo divulgadas nos portais brasileiros.
Desde 1995, quando começou a World Wide Web no Brasil, que os profissionais da área jornalÃstica vêm tentando se adaptar a esse novo mundo digital e, assim, criar um novo modo de informar os leitores através da tela do computador. Se no inÃcio a versão digital não passava de uma cópia da versão impressa dos jornais, hoje os portais de informação já podem utilizar muitos
outros artifÃcios como vÃdeo, som e links, dando caracterÃsticas próprias aos periódicos online.
Apesar dessa evolução, há um item que vem deixando muito a desejar: os textos publicados nos portais de notÃcias. Sem querer generalizar ou criticar só por criticar os sites brasileiros, muitas vezes a agilidade conquistada pela tecnologia digital vem a ser um fator contra o interesse do
leitor e a boa informação. O que importa é divulgar o maior número possÃvel de notÃcias diárias, mesmo que não haja um grande processo de apuração ou que isso implique na publicação de releases enviados por assessorias de imprensa. Quantidade tornou–se sinônimo de qualidade.
Todo manual de redação que se preze adverte que releases existem para dar apoio ao trabalho do jornalista e não para que sejam publicados na Ãntegra, como acontece em alguns sites noticiosos. E o pior, pode–se observar releases sendo publicados com a assinatura do jornalista do site ou, então, com os contatos da assessoria de imprensa no final do texto, quando não como uma cópia mal–feita dos mesmos.
Essa prática resulta numa pobre diversificação de notÃcias sobre o mesmo assunto. Em diferentes sites, encontra–se exatamente as mesmas informações, divulgadas de maneira igual.
Muitos assessores de imprensa podem sentir–se privilegiados e terem seu ego massageado vendo seus textos na internet, mas escrever para os sites de notÃcias não é exatamente o seu trabalho e nem os jornalistas “virtuais” deveriam ser pagos para editar releases e publicá–los.
Mesmo que o tempo seja curto e o jornalismo digital exija velocidade, telefonar para uma fonte ou fazer uma rápida pesquisa na rede não deveria ser exigência demais para ninguém. Mesmo sendo multimÃdia, a prática do jornalismo online ainda não chegou perto do seu ideal. [Webinsider]
