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Mais uma proposta para sair da inércia

10 de dezembro de 2001, 0:00

Opinião: breve a internet voltará a atrair investimentos, mas desta vez não tem cabimento o festival de oportunismos. O pessoal que ficou e aprendeu tem alguma coisa a dizer. Segmentação, por exemplo.

Por Nenhum

Leonardo Oliveira

Já são dez anos desde que ouvi pela primeira vez a palavra internet. Não se preocupe, não vou falar sobre o que aconteceu nestes anos todos, porque sabemos de cor a história.

O que realmente importa é que choveu, fez sol, ventou, escureceu e a internet permanece aí. Com um detalhe importantíssimo: agora está amanhecendo e pelos primeiros raios de sol, será um dia longo.

Voltarão os executivos, a imprensa e os investimentos. Todos à procura dos que não abandonaram o barco (nós que aqui estamos) e aprenderam muito com estes tempo nebulosos. Mas não será como antes. A rede cresceu, já é adulta. Ainda não sabe responder a todas as perguntas, mas sabe muito bem contrariar. Odeia obedecer aos velhos caretas.

Todos em suas especialidades, artistas, programadores, técnicos e até o usuário comum têm agora mais conhecimento de causa e sabem o que evitar neste festival de ações oportunistas que tentam nos empurrar.

Que tal agora, só para variar um pouco, os que realmente se preocupam com a internet opinarem com mais relevância? Que tal você e seus amigos falarem mais sobre seu aprendizado e ouvirem menos sobre os achômetros? Que tal, enfim, fazer da internet algo mais útil do que apenas uma vitrine de livros e CDs?

Tal como rezou Darwin, o Charles, agora ficam os mais fortes, e por incrível que pareça não são os mais ricos, para enfim construir um eficiente mundo digital. Acho que o primeiro passo neste caminho é a adoção de uma campanha de conscientização para acabar com o lixo virtual que tumultua e retarda o desempenho da rede. Depois uma boa estruturação da internet por categorias.

Sim, dividir para multiplicar. Mas não apenas dividir por sulfixos .com, .org, .gov, etc. Estas divisões se mostraram insuficientes para expor as possibilidades da internet.

Proponho uma divisão por categorias do pensamento humano, mais ou menos como são divididas as disciplinas do conhecimento numa universidade. Uma internet para esportes, outra para a arte, outra para medicina, outra para as leis, e assim vai. É claro que todas estarão interligadas e em muitos momentos seus conteúdos serão presentes em mais de uma categoria. Tão comum como as interseções entre a matemática e a música, entre a política e o esporte. Entre tudo que envolve o fator humano.

A viabilidade de um projeto como este definiria o papel da internet para cada indivíduo. Se quero uma pesquisa sobre a cultura Maia, tenho–a rápida e fácil, com diversos links para fotos de documentos históricos, vídeo–aulas e teses, por exemplo. Se por outro lado, é Natal e quero comprar um aparelho de DVD, vou direto ao ponto, sem passar por portais ou conteúdo
jornalístico. Aqui vivem felizes e sem culpa a propaganda, a promoção, o marketing direto, as campanhas de relacionamento e fidelização, entre outras, que fazem a alegria do pessoal das cadeiras da frente.

Todos terão seu espaço, limitado sempre pelo usuário, que escolherá quando e como quer ser impactado por propaganda, por conteúdos sensacionalistas, por jornalismo verdadeiro, por música clássica, propostas de trabalho…

É claro que existe quem pensa vertiginosamente a 180 graus de minha tese. É nisso que sustento minha certeza de que, de um modo ou de outro, a internet se estrutura para a maturidade e a auto–sustentação.

Não estou profetizando nada. Este é apenas um exercício. Uma análise das possibilidades que a rede apresenta. A segmentação é só uma possibilidade, mas é a que mais me atrai como candidata ao sucesso. E nem novidade é: já começou, com a internet 2, destinada às instituições de ensino superior, mas pode se estender a qualquer segmento da sociedade e do conhecimento. [Webinsider]

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