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Faturar com a internet? Tente indiretamente.

18 de novembro de 2001, 0:00

Evento para webdesigners deixa no ar a impressão que a internet é boa para negócios... quando serve de vitrine para inovações que podem ser aplicadas comercialmente no chamado mundo real.

Por Nenhum

Fábio Fernandes

Até que ponto o webdesign deve ser encarado como um fim em si mesmo? O encerramento do 3o. Encontro de Webdesign, realizado no início de novembro, no Rio de Janeiro, foi um saudável lembrete de que não basta conhecer a linguagem da web, e que talento continua sendo fundamental.

Com um bom humor à toda prova, as duplas que fecharam o evento deram – literalmente – um show. Na palestra “Quando o Cliente é o Designer”, Bruno Porto e Marcelo Martinez falaram sobre o desenvolvimento do seu site–portfólio. O site da dupla tem uma divertida animação interativa em Flash que convida o internauta a conhecer os trabalhos deles, que incluem criação de identidade visual para marcas de refrigerantes e projetos de capas de livros, entre outros.

Fazendo questão sempre de frisar a importância da participação do cliente no processo de trabalho, a dupla brincou com o uso do termo webdesigner. Segundo Martinez, a questão é design gráfico e pronto, e um projeto de website seria uma peça de comunicação visual como qualquer outra. Até o término da redação desta matéria, a palestra ainda não estava disponível para download no site do Encontro, mas uma entrevista bastante esclarecedora com a dupla, que trata deste e de outros assuntos, pode ser lida aqui.

Para fechar os trabalhos, um encerramento com chave (encriptada, claro) de ouro: o Freak Show da dupla Elesbão e Haroldinho. Dois dos maiores designers cariocas, com trabalhos publicados no exterior, eles apresentaram, junto com Marcello Rosauro, da Fé Cega Design, um show idealizado para divulgação de trabalhos de tipografia digital. As fonthouses Blind Fonts e Tipopótamo são apresentadas em grande estilo, num psicodélico e alucinante espetáculo com CD–ROM e vídeo, com direito a uma performance musical ao vivo de Rosauro e José Bessa, o Elesbão.

Por incrível que pareça, o forte dos dois grupos não é a web. É design e ponto. Isto pode parecer contrário ao objetivo do Encontro, mas talvez seja apenas um caminho a se apontar para o futuro: assim como as pontocoms estão enfrentando uma nova e desalentadora onda de falências e demissões (e foi num desses imbróglios que o Webinsider está passando por suas dificuldades temporárias, infelizmente) e cada vez mais empreendimentos de caráter pessoal e sem fins lucrativos como os blogs tomam conta da web, não seria de surpreender que o encontro do próximo ano dê um destaque ainda maior a profissionais que utilizam a web apenas como meio para comunicar seus trabalhos no mundo das empresas brick–and–mortar.

Porque talvez – é chato considerar essa possibilidade, mas é necessário – no fundo, no fundo, a web seja isso mesmo: uma grande, fantástica, barata e acessível vitrine para a exposição de experiências inovadoras de texto e design… que em seguida possam ser transportadas para utilização (com seus conseqüentes e merecidos ganhos financeiros) no chamado mundo real. [Webinsider]

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