Tudo evolui, até o webdesigner… :-)
09 de novembro de 2001, 0:003º Encontro de Webdesign surpreende ao mudar o tom: em vez de interfaces supostamente criativas ou bonitas, fala–se em usabilidade, arquitetura da informação e planejamento.
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Aconteceu esta semana no Rio de Janeiro um evento destinado aos webdesigners. A julgar pelas duas versões anteriores, tinha tudo para ser uma grande mostra de coisas bonitas e portfólios, individuais ou de empresas. Mas não foi o que aconteceu. Os palestrantes falaram basicamente do que não se vê, mas se percebe pelo bom resultado final (na interface gráfica).
Na primeira metade, dedicada às entranhas dos websites, Daniel Brum, da Urbana, avaliou o novo perfil do profissional webdesigner. Foi muito adequado, principalmente para os muitos estudantes de design que tentam ingressar no mercado com alguns cursos de HTML, DHTML e Flash na bagagem, mas ainda sem idéia do processo de desenvolvimento de um site. Brum fez uma colocação bem interessante com relação aos portfólios que mostram basicamente sites institucionais (ocos), que representariam o webdesign do passado.
Daniel Brum também procurou derrubar conceitos ao apontar dificuldades inerentes, que devem ser entendidos e resolvidos para uma solução adequada. Confrontou as ditas vantagens da internet – freqüentemente usadas como artifÃcio para convencer o cliente do webdesigner – com os problemas que elas geram. Apresentou de forma simplÃssima todo o processo de desenvolvimento dentro de uma agência e não deixou dúvidas: o webdesign é muito mais do que fazedor de interfaces bonitas e atraentes.
Retrabalho custa caro. Depois foi a vez do Marcelo Mazei, da Tesla, sobre Criação vs. Usabilidade. Para sustentar que a "criação" ao pé da letra ("ação ou efeito de criar. Invenção.") não encerra o processo, Mazei mostrou estudos e gráficos de usabilidade (todos em inglês) que alertam para uma discussão muito mais séria. As empresas – como a própria Tesla – têm dedicado muito tempo de pesquisa em busca de um trabalho consistente de desenvolvimento, de modo a não descobrir os problemas quando o site estiver no ar.
Segundo uma das pesquisas apresentadas, o retrabalho em cima da arquitetura da informação pode custar ao cliente cerca de 400% a mais do que custaria se o processo fosse realizado corretamente. Mostrou, também em gráfico, a importância desse novo profissional (que na opinião dele é um novo integrante da equipe): apenas 10% do sucesso de um site viriam do seu visual, embora essa seja, obviamente, a grande isca. 30% vêm da agradável experiência do usuário enquanto 60% (!) viriam da funcionalidade e usabilidade.
Encerrando a manhã, Sergio Salvador, da Neoris Brasil, falou da arquitetura da informação e situou o webdesigner como um arquiteto nato. Fez uma apresentação leve e descontraÃda sobre um tema bastante complexo. Falou de termos esquisitos como CHI (Computer–Human Interaction), avaliação heurÃstica, organização de conteúdo usado em biblioteconomia. Enfim, mencionou coisas que para muita gente não têm nada a ver com design…
Salvador comparou o webdesigner ao designer de produto e lembrou que infelizmente o tempo de desenvolvimento é diferente – normalmente os prazos de criação de um site são bem mais curtos.
Todos enfatizaram a cooperação entre as áreas e departamentos que participam da criação,além da intensa relação com o cliente. Ficou claro que já passou o tempo do designer–faz–tudo, devido a clientes mais exigentes, conteúdos mais complexos, objetivos cada vez mais especÃficos e soluções muito mais criativas – não só na plástica, mas principalmente na solução do que não se vê, mas se sente. Isso tem um nome, A.I., mas não o filme.
A segunda metade do evento foi voltada para a interface. Suzana Apelbaum mostrou belÃssimas campanhas – ações na internet, como prefere chamar. Novamente, muito mais no sentido de soluções brilhantes e resultados surpreendentes do que no uso desmedido da tecnologia ou recursos.
Ela apresentou o problema, a solução desenvolvida, as peças que envolviam a campanha (banners também, mas não apenas) e resultados que apontam a web como mÃdia surpreendente, ao possibilitar também a transação (a tal da interatividade). Falou o tempo todo de conceito, forma e função e sugeriu soluções criativas com uso de ferramentas Rich Media, HTML e e–mail. Mostrou como se faz propaganda na internet e saiu aplaudidÃssima.
Infelizmente não pude ver os outros palestrantes (Porto e Martinez, da Porto + Martinez design,e José Bessa, Claudio Reston e Marcelo Rosauro, dos escritórios Elesbão e Haroldinho dizáin e Fé Cega Design). No site da Arteccom há mais informações sobre o evento. [Webinsider]

