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Seis meses falando para o micro

06 de novembro de 2001, 0:00

Atenção pessoal que digita muito e quer teclar menos: nosso amigo passou este tempo todo usando um software que reconhece as palavras. Descobriu que vale a pena se a paciência não é pequena.

Por Nenhum

Carlos Nepomuceno

Já reparou que ninguém digita em filme de ficção científica?Todos conversam com as máquinas. E cá estou a ditar da poltrona este artigo para vocês e saber se realmente teclar ainda é preciso.

Há seis meses, testo o programa ViaVoice da IBM. Estou na versão 8.0 em português. Os últimos textos já foram produzidas com a ajuda dele.

Aparentemente, um aplicativo como esse seria de grande utilidade para os usuários leigos. Meu pai, por exemplo, se empolgou, comprou e não usa.

As ferramentas de reconhecimento de voz, infelizmente, ainda são para os iniciados. Elas precisam aprender o jeito que você fala, um processo lento e demorado, até se chegar a uma produtividade razoável.

Exige uma dose de paciência que apenas os mais experientes no uso da informática já têm. A comunicação é feita de uma forma um pouco diferente.

Observem um tipo de ditado:

"Sim (vírgula) vou iniciar esta frase (vírgula) mas é necessário terminá–la de algum jeito (ponto) (nova linha)"

O produto é fundamental para deficientes físicos com problemas nas mãos ou de visão. Ou pessoas que escrevem bastante. E ainda aos que querem mais conforto, como sair, por exemplo, de uma cadeira vertical e ir, de vez em quando, sentar uma mais horizontal.

Um exemplo: necessitava transcrever um vídeo de quase uma hora. O que fiz? Enquanto tocava a fita, ditava para o microfone e transcrevia facilmente tudo para o computador.

O programa ajuda também na revisão de textos. Aciona–se um pequeno lápis, com um rosto simpático e sotaque americano. Todos os meus escritos são lidos por ele diversas vezes, antes de considerá–los prontos.

A melhora que consigo no documento é inigualável, já que tenho outro a pronunciar em voz alta o que redijo. Diversos erros que passam imperceptíveis na tela, ou mesmo na impressão (que eliminei), tornam–se literalmente gritantes ao serem escutados.

Essas correções finais, entretanto, são feitas no teclado.

Existem duas versões do ViaVoice, a Standard (R$ 190,00) e a Pro (R$ 500,00). A diferença entre elas pode ser vista aqui. Há uma promoção para estudantes e professores.

Nada justifica a Pro, a não ser que você realmente tenha problemas sérios para teclar e prefira controlar a máquina por voz, um recurso que não me pareceu ainda tão eficaz. A Standard atende totalmente quem quer apenas datilografar menos.

O software exige MUITA memória do PC. O fabricante recomenda 64 MB com o Windows 95/98/NT, mas é pouco. Ele é pesadão: ou fechamos todas as janelas ao executá–lo ou colocamos mais RAM.

Aos usuários, recomendaria usar o recurso para reconhecer previamente os textos mais relevantes existentes no seu HD. Útil também para assuntos novos com termos especializados. Ganha–se muito tempo posteriormente com esse procedimento.

Ao terminar um trabalho, ele vai pedir também para reconhecer os novos vocábulos, tenha resignação e fale todos.

É isso e como diria no dialeto ViaVoice: Bye (virgula) Bye (ponto) (salvar) (arquivo) (sair) [Webinsider]

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