MÃdia em unÃssono
14 de setembro de 2001, 0:00Tenho medo daquilo que a mÃdia não fala.
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Assisti como todo o mundo ao ataque terrorista nos Estados Unidos, pela TV. Estranhamente, não fiquei chocado. Era como se minha retina estivesse cheia de vaselina. Meu olhar deslizou por aquele espetáculo. Nada muito além de mais uma superprodução esmerada. Abduzido pela força daquelas imagens, confesso que fiquei desapontado no final: "mas foi só isso?".
Com o tempo, no entanto, aquele pastiche da mÃdia foi se esgarçando. Com o tempo, foi me dando um estranho nó nas tripas. Meu coração disparava cada vez que acessava algum site de notÃcia, web afora. Me arrepiei tantas vezes. Chorei outras. E a cada hora que passa, o nó aumenta. O atentado é hoje mais grave do que foi ontem e menos do que será amanhã.
Estou com muito medo do futuro. Pior, estou com muito medo daquilo que pode estar acontecendo agora, neste momento. Medo daquilo que a mÃdia não fala.
Também tenho medo desse refrãozinho "bem–pensante" que ecoa aqui e ali: "é chegada a hora do mundo ocidental olhar com tolerância e imparcialidade os problemas do mundo". De que servem estas palavras além de tentar nos construir uma boa consciência de festim?
Tenho muito medo da diabólica combinação "ódio e patriotismo".Tenho medo ainda da palavra vingança, da palavra culpado. Medo da fórmula "recuperar a auto estima".
Medo da mÃdia e sua capacidade de equacionar insidiosamente problemas.
Este texto, lamentavelmente, não tem conclusão. Este texto, infelizmente, não sugere soluções. É só uma ingênua manifestação crÃtica.
Eu só queria que fôssemos vigilantes, muito vigilantes.
Porque a pior das armas, a pior das bombas, a pior das chagas talvez seja a unanimidade. [web insider]
