Grandes erros
14 de setembro de 2001, 0:00Nem tudo funciona 100% nos Estados Unidos.
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Essa semana estava animado para estrear minha coluna aqui no [web insider], Grande Boston. Fiquei algumas semanas trocando e–mails com o Vicente Tardin, reclamando de vários serviços que tenho em casa enquanto estou morando por aqui em Boston, e surgiu a idéia do nome "Grande Boston".
Tive problemas com supermercado online Home Runs (fechou…), conexão DSL da Verizon (nunca foi instalado…), entrega de flores pela 1–800–FLOWERS para uma amiga (nunca chegaram), ou seja, estava tão decepcionado que veio o Ãmpeto de escrever sobre o assunto.
Mas veio a terça–feira, 11 de setembro… estava justamente sentado ao computador começando minha coluna quando recebi o telefonema da minha irmã que mora Campinas, SP. "Está tudo bem aÃ?".
Senti a tensão na voz, e respondendo que estava tudo bem, perguntei como ela estava. Antes de me dizer que o prefeito de Campinas havia sido assassinado naquela noite (que já seria suficiente para uma ligação naquele tom de voz), pediu pra eu ligar a TV… o que veio depois disso se aproxima muito do que vários de vocês sentiram ao ver pela primeira vez as imagens dos aviões atingindo o World Trade Center. Mas por estar morando em Boston, e sabendo que 2 dos vôos haviam saÃdo daqui, cada minuto de pensamento que se seguiu me deixava mais nervoso… ou confuso, não sei ao certo.
Moro ao norte de Boston, próximo do aeroporto Logan, e adoro aviões. Não existe um avião que decole do aeroporto e meus olhos não o sigam pela janela até identificar o tipode avião, companhia, para que lado está indo, para que paÃs deve estar seguindo, essas coisas bobas de quem adora aviões e viagens aéreas.
Com certeza, vi os aviões sequestrados passarem pela minha janela… Durante o último ano também fiz várias viagens saindo do Logan, para o Brasil e destinos domésticos nos EUA, conheço bem o aeroporto e posso garantir: a segurança é falha.
Não é a toa que escolheram Boston como um dos pontos de partida. Em várias ocasiões minha mulher me acompanhou até a entrada do avião, sem ter bilhete de passagem. Numa oportunidade levei um amplificador Fender para meu irmão no Brasil (ele toca gaita) sem que ninguém questionasse o que havia dentro, só encrencaram pois eu teria que pagar excesso de bagagem.
Outro detalhe na tragédia foi a compra de 7 passagens dos terroristas com o mesmo cartão de crédito… caramba, tenho um cartão que foi usado no mesmo dia em SP e Miami, com 1 hora de diferença, e foi bloqueado (realmente alguém tentou sacanear com meu número de cartão). Será que não notaram nada estranho no que ocorreu com a compra dessas passagens?
Sem falar do controle de tráfego aéreo em Boston e outras localidades… quatro vôos desviando de suas rotas originais num espaço de 40 minutos é demais… quando o primeiro desviou já deveria ser suficiente para acionar o telefone vermelho com o pentágono… que aliás foi o último alvo a ser atingido.
Lamento começar minha coluna com esse clima, queria estar escrevendo sobre minha conexão DSL que nunca foi instalada aqui… mas essa é a realidade mais cruel da "Grande Boston". [web insider]

