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Saudades (amargas) do mundo bipolar

12 de setembro de 2001, 0:00

Desculpem, mas ainda não dá para mudar de assunto totalmente.. A hegemonia política, militar e econômica concentrada em um só país joga estilhaços de intolerância na gente de toda a parte.

Por Nenhum

Fábio Fernandes

Na noite de 11 de setembro (dia que marcou o que já está sendo considerado por alguns o novo Setembro Negro), a rede de TV a cabo Globonews levou ao ar uma edição especial de seu programa de entrevistas Espaço Aberto. Nessa edição, o jornalista William Waack entrevistou o economista Eduardo Gianetti da Fonseca sobre a tragédia ocorrida naquela manhã nos Estados Unidos. Atônito como todos, Gianetti tentou analisar da melhor forma possível os ataques terroristas, reconhecendo a impossibilidade dessa tarefa apenas algumas horas após o ocorrido.

No entanto, o programa não se limitou a especulações e obviedades: Gianetti lembrou aos telespectadores uma coisa interessante – e que pode até parecer óbvia para a maioria dos leitores, mas não custa repetir: uma das razões pelo aumento do sentimento anti–americano em todo o planeta – e que no fim das contas acabou levando a essa tragédia que parece ainda não ter chegado ao fim – foi o fim da bipolaridade.

Com a extinção da União Soviética, os EUA se afirmaram de uma vez por todas como a nação hegemônica do mundo, o bastião do chamado “mundo livre”, expressão criada por Winston Churchill logo após o final da Segunda Guerra, quando já se configurava o quadro que iria desaguar em décadas de guerra fria.

Os tempos do Muro de Berlim e da Cortina de Ferro não foram menos sombrios e dolorosos, e a expectativa de uma guerra nuclear era ainda maior do que até o último dia 10. Mas, mesmo com incidentes como o da Baía dos Porcos, em 1961, em que Kennedy mediu forças com Kruschev para a retirada dos mísseis nucleares soviéticos de Cuba, jamais aconteceu uma situação tão propensa de guerra quanto a que a destruição do World Trade Center provocou.

Culpa dos Estados Unidos? Por um lado, o problema de uma hegemonia político–militar concentrada em um só país é que isto faz com que seus habitantes se vejam como os guardiães da liberdade, os defensores de valores morais que nem sempre coincidem com os de outras culturas.

A Guerra Fria não impediu que os EUA já se vissem superiores desde antes – e o Vietnã está aí para provar isso. Mas a queda da URSS só fez agravar esse quadro, e a vitória americana na Guerra do Golfo encheu ainda mais o barril de pólvora. Que um dia ia explodir. Só que ninguém imaginava que fosse acontecer desse jeito.

Porque, ainda que a hegemonia americana seja o estopim desse estado de coisas (e nem isto é certo, pois o ataque da seita japonesa Verdade Suprema no metrô de Tóquio e o conflito entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte não têm nada a ver com os Estados Unidos), a morte não justifica nada. Nem numa guerra, onde os soldados teoricamente estão preparados para lutar, matar e morrer. Quanto mais no meio de uma grande cidade.

Pois quem sofre com isso, não se enganem, somos todos nós. O problema pode ter sido provocado pela ideologia, mas não é possível nos refugiarmos atrás dela neste momento e bater palmas ou festejar. Americanos e chicanos, judeus e palestinos, afegãos e até mesmo nós, brasileiros, Terceiro Mundo, quase no pé da América Latina – todos vamos sofrer muito com as conseqüências do ódio e da intolerância.

Quando eu usei a palavra “saudades” acima foi, evidentemente, uma ironia… mas que tem lá o seu fundo de verdade. Porque uma guerra fria parecia intolerável no século vinte, mas com duas nações poderosas, o equilíbrio impediu que o sangue fervesse de parte a parte. A Guerra Fria era menos pior do que esta iminente ameaça de uma guerra quente – sem brincadeira. Se houver guerra, desta vez pode sobrar para todo mundo. [web insider]

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Comentários

1 pessoa comentou o artigo "Saudades (amargas) do mundo bipolar"

pamela Data: 10/04/2007 às 14:51

Atividade: escolar

Cidade: ribeirao preto

oi queria dizer que esse documentario me ajudou muito na escola e que o autor Fábio Fernades é um otimo autor, muito obrigado pois se naum tivessem pessoas como vcs o que seriam de nos alunos?
Ha meu pai sonha em ser um jornalista, pois ate esta fazendo faculdade. So queria pedir que naum colocasse o meu comentario a vista, pois morro de vergonha. obrigado…..

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