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Fábio Fernandes
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Onde guardar seus dados? Talvez na cabeça.

10 de setembro de 2001, 0:00

Logo não saberemos mais onde guardar toda a informação que reunimos. Hoje nossos dados estão espalhados - em casa, no PC, na internet. Amanhã considere a idéia de um implante cerebral.

Por Fábio Fernandes

O estudo recente da School of Information Management and Systems está dando o que falar: segundo pesquisadores desta escola da Universidade da Califórnia, a humanidade produzirá até 2003 mais informação que nos 300 mil anos anteriores. E, no futuro próximo, essa quantidade de dados deve dobrar a cada ano. Somente em 1999, foram gerados 250 megabytes de novas informações para cada habitante do planeta.

Como assimilar tanta informação é uma pergunta que já foi feita à exaustão. A questão do momento vai além da angústia da informação para a esfera puramente logística: onde guardar tanto volume de dados?

O diretor de IT Strategies da PricewaterhouseCoopers, Cezar Taurion, aposta que o conceito de Storage Area Networking dominará o mercado daqui a poucos anos. Em palestra na última Fenasoft, ele explicou como essa idéia pode quebrar o paradigma da computação centralizada, fazendo com que a informação não fique mais presa somente a um servidor, mas em pontos específicos de armazenamento ao longo da rede, eliminando a necessidade de deslocamento de arquivos.

Resumindo? Num mundo de largura de banda ilimitada, onde o usuário não precise nunca permanecer desconectado, ele não precisa mais ter os softwares que utiliza diariamente armazenados no disco rígido de sua máquina.

Mas, como esse mundo ainda parece distante pelo menos para os brasileiros, não é muito provável que a informação abandone inteiramente os meios físicos nas próximas décadas: como afirma o filósofo francês Pierre Lévy em seu livro Cibercultura (Editora 34), o que iremos ver na verdade – e que já está ocorrendo – é um fenômeno chamado articulação, ou seja, a coexistência de meios análogos que acabam se complementando.

O exemplo mais evidente disto deve estar ao seu lado neste momento, e se chama impressora: você não deleta um arquivo de seu computador só porque acabou de imprimi–lo, não é mesmo?

O advento das conexões de internet a partir de telefones celulares e palmtops nos últimos anos deu um grande impulso a esse aumento de informações, e não vai parar por aí. As pesquisas sobre implantes cerebrais estão cada vez mais avançadas, permitindo o controle parcial de doenças como o mal de Parkinson e implantes de microssensores para ajudar a mover braços e pernas de pessoas com paralisia.

Implantes cerebrais

Ainda não chegamos aos chips de armazenamento de memória no cérebro, mas a ficção científica tem explorado muito bem o assunto na literatura. Um dos autores mais inteligentes em sua abordagem de implantes é o australiano Greg Egan. Autor de diversos contos e um romance envolvendo neurociência e implantes cerebrais, Egan constrói cenários aparentemente bastante plausíveis com relação às possibilidades de utilização de implantes.

A investigação mais profunda de Egan no estranho mundo da nossa cabeça está em Quarantine, (HarperPrism, 1992) um romance noir que lembra de leve o clássico Blade Runner (o filme, não o livro de Philip K. Dick), passado em um futuro bizarro onde a Terra foi isolada do sistema solar por uma imensa bolha sem que se saiba por quê.

Contratado para encontrar uma mulher com danos cerebrais que teria fugido de um sanatório, o detetive Nick Stavrianos se defronta com um mistério envolvendo física quântica e questões complexas demais para resumir aqui – e isso não é o mais importante. O fantástico é o que Nick carrega em seu cérebro como quem leva um celular no bolso: uma unidade neural nanoscópica que atua como uma verdadeira workstation. Sem mover um dedo, ele pode acessar mapas de cidades, bases de dados e aplicações de todos os tipos… incluindo uma "chatterbot" tridimensional criada para emular sua falecida esposa, e com a qual ele conversa por metade do livro. Tudo isso usando a cabeça: não há mais computadores desktop neste mundo de fins do século XXI.

Talvez os implantes sejam a última fronteira, no fim das contas – tanto para resolver o problema de armazenamento quanto para acabar de vez com essa tal angústia da informação. Porque, se algum dia surgirem implantes conforme os descritos por Egan (desde que sem bugs ou vírus, claro), vai valer a pena. [web insider]

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Sobre o autor

Fábio FernandesFábio Fernandes (zeroabsoluto@gmail.com) é jornalista, escritor e tradutor. Mantém o blog Pós-estranho.

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