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Regras de webwriting? Pensar é a primeira.

29 de agosto de 2001, 0:00

O redator que chega à internet encontra regras e verdades que podem não fazer o menor sentido. É o caso de detonar conceitos discutíveis, como a obrigação de só publicar textos curtos.

Por Nenhum

Nino Carvalho

Há cerca de dois anos começaram mais ativamente as discussões, estudos, teorias e palpites sobre como seriam as formas mais adequadas de redação para a internet. Surgiram manuais de instrução e instrutores, muitos com fórmulas para o pergaminho de ouro. Na prática nem mesmo estes guias e nem seus criadores cumpriam as tais normas!

É difícil estipular regras para algo tão novo. É complicado padronizar um veículo tão abrangente e que oferece tamanha liberdade.

Usando publicações impressas como exemplo: cada jornal tem uma linha editorial, sua forma de escrever, um manual de redação etc. Quando um profissional muda do JB para o Estadão ele deve se adaptar a um novo estilo de redação.

Essa brincadeira na web

O mesmo acontece quando o redator pula de um site a outro (fugindo das falências!). Mas as publicações online não precisam seguir certas regras próprias dos jornais, apesar de tentativas de tratar os veículos digitais desta forma simplória.

Há um conjunto de regras estabelecidas, recomendando em geral textos curtos, já que a leitura na tela é considerada cansativa.

Recomenda–se também um máximo de quatro parágrafos, cada um deles com cerca de cinco linhas; links para consulta posterior; imagens; palavras destacadas em negrito; uso moderado de entretítulos. Basicamente esta combinação é a receita de como o conteúdo deveria ser apresentado.

O problema é que a receita não se aplica a todos da mesma maneira. Conteúdo é muito mais que texto, é também adequação. Uma publicação especializada pode e deve ter textos longos, por que não? O próprio [web insider] é um exemplo de que o texto não deve ser represado em quatro pequenos parágrafos.

A verdade – e isto está sendo discutido no Brasil há muito pouco tempo – é que o público é quem decide como será escrito o texto, não o redator. Não é mistério ou novidade alguma: o cliente determina como é o produto que compra.

Tudo bem. Ainda assim você quer ver algum tipo de fórmula, algo que facilite o desenvolvimento do conteúdo… Então procure se basear nas seguintes perguntas:

Quem irá ler o texto? Trata–se de conhecer o perfil de seu "internauta". Se for escrever para o público de terceira idade, por exemplo, considere que muitos têm problemas de vista e as tradicionais fontes de corpo 10 podem ser insatisfatórias.

O que ele espera ver? Cuidado com o uso de cores fortes, muitas imagens, vídeos e tal… Antes de mais nada, tenha certeza de seu público quer realmente estes recursos. Tenha foco.

Ele pode ter o que deseja? Geralmente o usuário de internet não quer saber do que não funciona. Ele poderia desfrutar de multimídia à vontade na tela, mas se não tiver banda para isso é melhor deixar para lá. Se for mesmo preciso multimídia, considere oferecer o mesmo conteúdo em mais de uma forma.

Bem, se você chegou até aqui acho que também acredita que os textículos não são uma web–lei. Para quem está começando na redação para a web, o importante é observar bons exemplos, refletir e procurar desenvolver uma visão crítica em relação ao seu próprio trabalho. [web insider]

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