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Excesso leva propaganda de volta ao começo

01 de agosto de 2001, 0:00

Há tantos anúncios no mundo que a propaganda agora precisa recorrer a campanhas montadas em cima de pessoas influentes usando determinados produtos, sem parecer que é propaganda.

Por Nenhum

Julio Daio Borges

A propaganda está em crise. Nos Estados Unidos, a geração que tem hoje de 20 a 30 anos desconfia dos veículos de massa, e não se deixa atingir pelos anúncios levados ao ar. Novas engenhocas, que pretendem tomar o lugar do videocassete, anunciam uma programação sem publicidade, o que provocará uma extensa revisão sobre o papel da televisão, e de como ela futuramente deverá se sustentar.

Deu no suplemento da Business Week, publicado pelo jornal Valor, que as mais modernas campanhas de lançamento de produtos, entre a juventude norte–americana, têm se apoiado num novo tipo de marketing: aquele que se faz na base do boca–a–boca, abarcando desde as dicas de pessoas influentes (em seus meios) até os modismos mais reles.

Dada a infinidade de estímulos a que tem sido submetido o público consumidor nos EUA, os publicitários não encontram outra saída senão inserir–se na vida das pessoas, por meio de agentes que, num gesto de gentileza, numa pose, ou numa conversa séria podem estar promovendo esta ou aquela novidade mais recente.

Foi assim com o novo Ford Focus, por exemplo. Pessoas–chave, escolhidas a dedo, nas principais capitais americanas, foram instruídas para circular e divulgar o automóvel, gerando ondas que permitiram uma alavancagem nas vendas. Se por um lado, a audiência anda saturada das vinhetas, dos jingles e das estratégias dos publicitários, por outro, a própria indústria eletrônica fornece alternativas para que se fuja, na tevê, das "mensagens dos patrocinadores".

Novas aparelhagens permitem que se armazene dezenas de horas de programas, suprimindo os intervalos comerciais e estabelecendo seqüências personalizadas de atrações, definidas pelo próprio espectador (e não mais pelas grandes redes).

Depois de anos de bombardeio por parte dos anunciantes, eis que o homem comum encontra refúgio nas novas tecnologias. Ninguém sabe quanto vai durar a atual decadência dos propagandistas. Todo mundo sabe, porém, que eles prometem voltar à carga. E, como sempre, ainda mais violentos. [web insider]

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