DVD cresce muito, mesmo com pirataria
23 de julho de 2001, 0:00A indústria do cinema exagera no temor à pirataria online, anuncia novos modelos de DVDs considerados invioláveis e alega prejuízo bilionário. Mas as vendas só crescem, inclusive no Brasil.
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Para os cinéfilos de carteirinha, a notícia soa até previsível. Para aqueles que gostam de apenas aproveitar um bom filme de vez em quando e se contentam com o bom e velho videocassete, o número que acaba de ser divulgado pela Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos impressiona.
No primeiro semestre de 2001, foram 43 mil aparelhos de DVD vendidos por mês no Brasil. Um aumento de 368,84% em relação ao ano passado. Em junho deste ano, enquanto todas as linhas de eletrodomésticos sofreram quedas em torno de 20% por conta do racionamento de energia, os DVDs cresceram 122,68%.
As causas do vertiginoso acréscimo da popularidade do DVD são muitas. Queda de preços, novas alternativas em locações e compras, aumento da oferta em títulos etc. Por outro lado, as mesmas causas esbarram em um paradoxo sobre a argumentação padrão da indústria: a pirataria, em essencial através da internet, prejudica as vendas e acarreta prejuízos.
A preocupação dos estúdios é gritante. Hoje, os lançamentos ficam disponíveis na internet quase que de forma instantânea ao cinema. A pirataria online é uma ameaça real à indústria, porém, longe de colocar em xeque o comércio dos filmes e, como pode ser visto agora, do DVD propriamente dito.
O prejuízo oriundo da pirataria é conhecido por todos, mas é preocupante o quanto setores da indústria tentam "prever" um fim do DVD por isso. Seria algo como o fim do VHS em conseqüência dos aparelhos de videocassete que gravam. Voltando ainda mais no tempo, algo como o fim da fita K7 por causa da possibilidade de copiá–las. É tão fácil replicar um K7 quanto um VHS.
A mesma facilidade ainda não existe no DVD, mas o caminho é irreversível. Em breve, gravadores de DVD serão tão comuns quanto gravadores de K7 e VHS. Com a capacidade de armazenamento bem superior, é óbvio que, a partir do momento que o custo/benefício se torne viável, todos vão preferir guardar dados, fotos, músicas e filmes em discos do tipo DVD.
Com o advento da tecnologia DivX (veja matérias ao lado), a qual permite uma rápida e simples maneira de copiar um filme de DVD para um CD convencional, os brios da indústria cinematográfica ouriçaram.
Falou–se em extinção de DVDs e criação de novos formatos para o disco. Situação a qual, de fato, ocorre. Discos aprimorados, com tecnologia antipirataria superior, devem chegar ao mercado a partir de 2002 ou, talvez, até o fim deste ano.
A todas essas vertentes soma–se ainda a crescente adesão da banda larga, ou seja, a internet em alta velocidade. Baixar um filme de DVD convertido para DivX, que cabe em um CD convencional de 650 Mb, deixou de ser uma árdua tarefa. Com uma conexão ADSL de 256k, você pode ter o último lançamento em casa, para assistir com som de qualidade relativa e tela cheia, em cerca de cinco horas de download. Com um modem de 56k, levaria dois dias.
O que pretende a indústria? Afora os novos DVDs com melhores recursos contra cópias, ninguém sabe. O interessante, contudo, é que a demonização da internet segue um caminho similar ao que ocorreu com a música digital.
A livre disseminação dos arquivos, seja de músicas ou de filmes, ao contrário do que a cartilha industrial pregou e continua a pregar, não diminuiu sequer uma ínfima porcentagem das vendas, da receita e do lucro. Pelo contrário. As vendas no setor crescem e a tendência é crescer ainda mais.
O surgimento de DVDs supostamente invioláveis, sem dúvida, servirá apenas como exercício mental para hackers que perderão algumas poucas horas, regadas a café e rosquinhas, para quebrar mais uma vez os códigos de segurança e começarem a copiar – e distribuir – de forma indiscriminada.
O mesmo começa a ocorrer com a música. Assunto a ser abordado em breve. [web insider]

