Webinsider

Negócios

Gravadoras, vocês vão se irritar novamente…

17 de julho de 2001, 0:00

Uma pequenina empresa européia chamada Fast Track, o KaZaA e o Morpheus estão reescrevendo o fim da história na guerra das gravadoras contra os sistemas de file–sharing.

Por Nenhum

Daniel Pádua

Napster, copyright e indústria fonográfica. Os personagens da mais recente batalha ideológica causada pela liberdade da internet levaram a questão do direito autoral ao dia–a–dia dos cidadãos e, à medida que o Napster perdia na Justiça do Estados Unidos o direito de ser livre, criou–se um consenso mundial de que a troca de arte usando sistemas peer–to–peer estava fadada ao fracasso.

No entanto, serviços baseados na tecnologia Fast Track P2P Stack surgiram recentemente para mostrar que o modelo de serviço está vivo, pode ser melhorado, pode impossibilitar os ataques judiciais e continuar livre e gratuito, talvez para sempre.

Basicamente, o que o P2P Stack faz é possibilitar a criação de softwares que geram redes peer–to–peer instantâneas na internet, sem a ajuda de servidores centrais e ainda assim mantendo uma estabilidade incrível na troca de dados. Isso significa que nada nem ninguém pode desligar a rede criada e que, ao contrário do Gnutella, o sistema tem uma performance invejável (na minha opinião, melhor que a do Napster).

Os dois primeiros serviços de mídia que licenciaram a tecnologia foram o KaZaA, criado pelos donos da Fast Track, e o Morpheus, da já conhecida MusicCity. Ambos os serviços somam mais de 1,5 milhão de usuários simultâneos trocando arte entre si (a mesma quantidade do Napster, antes dos filtros) e já são os campeões da lista de mais baixados do Download.com.

Eu digo arte porque eles suportam não só música, mas qualquer tipo de mídia – vídeos, imagens, músicas, documentos, softwares. Absolutamente tudo. Exibem muito mais informações sobre os arquivos, utilizando meta data, o que entre outras coisas permite pesquisas na rede por língua de origem, descrição, categoria, etc.

Com uma interface muito fácil de usar, comunicação instantânea nativa e ferramentas de avaliação de qualidade dos arquivos na rede, o KaZaA e o Morpheus têm um desempenho fantástico por usarem uma técnica de download distribuído (baixando de várias fontes ao mesmo tempo), aumentando a velocidade das transmissões e garantindo a estabilidade que antes só se via no Napster. Quer dizer, quanto maior a rede fica, mais rápidos e estáveis ficam os downloads. Melhor ainda, os downloads interrompidos são recuperáveis, como no GetRight e, como o protocolo é o mesmo, as redes baseadas no P2P Stack compartilham os arquivos, aumentando vertiginosamente a quantidade de arte disponível.

Redes peer–to–peer interoperáveis, velozes, estáveis e livres de servidores intermediários. Qualquer um entra, compartilha o que quiser, consome o que puder e sai. E a rede continua viva, praticamente impossível de ser fechada. Novos músicos produzem sua arte a um custo baixo, e, classificando seus arquivos da forma correta, disponibilizam sua obra para pesquisa pública, dando um passo à frente no controle da distribuição do seu próprio trabalho.

Esta é a realidade que as grandes gravadoras vão precisar enfrentar, à medida que o KaZaA e o Morpheus se tornam populares nos EUA. É o renascimento da febre Napster, que destruiu os muros de uma indústria polêmica, onipresente e muitas vezes alienante. E, dessa vez, não há Suprema Corte que dê jeito. Minha sugestão é: parem de gritar feito loucas e transformem–se. [web insider]

Sobre o autor

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: Nenhuma palavra-chave foi encontrada!

Comentários

Ninguém comentou o artigo "Gravadoras, vocês vão se irritar novamente…"

Avisos
Os ítens com asterisco ( * ) são campos de preenchimento obrigatório.
Todos os links inseridos nos comentários possuem o atributo rel="nofollow" para impedir com que user agents (como os mecanismos de busca) sigam os links inseridos para desestimular spammers.
Todos devem se identificar através de e-mail válido.
Os e-mails dos usuários não serão divulgados no site.
Comentários:

Preencha os dados abaixo e clique em enviar

Webinsider