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Alvaro de Castro
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A maior de todas as quebradeiras

16 de julho de 2001, 0:00

Considerando o alto valor dos investimentos que obteve, o supermercado online Webvan foi talvez o maior fracasso da história do e–commerce.

Por Alvaro de Castro

A partir de 9 de julho, 2001, a Webvan encerrou operações. Se você tem um envio programado, você não o receberá, e este não será cobrado. Para todos vocês, leais clientes, ficamos gratos com seu apoio e estímulo. Foi um prazer servi–los.

Com estas singelas palavras foram enterrados mais de US$ 800 milhões de investidores de Wall Street quando a Webvan fechou e afirmou que pretende declarar falência. A empresa até tentou um singelo 25–a–1 reverse stock split, significando que cada 25 das ações a US$ 0,08 passariam a valer US$ 2.00 share, mas percebeu que seria inútil.

Ainda assim, Bud Grebey, porta–voz da Webvan, conseguiu afirmar: "Estamos muito orgulhosos do que conseguimos. Realmente acreditamos que nosso conceito era ótimo. Só estávamos à frente de nosso tempo".

Se jamais ter gerado um centavo, a empresa deixa um passivo de US$ 96,5 milhões, mais de 750 mil clientes sem serviço e dois mil funcionários sem emprego. Estes receberão o referente às férias e mais US$ 900 de severance package (o equivalente ao Fundo de Garantia nos EUA) concedidos por "um doador anônimo"(???). Já George Shaheen, seu ex–presidente, receberá US$ 375 mil por ano até falecer, como aposentadoria pelos seus excelente serviços…

Shaheen sacudiu o mercado de contratações quando em setembro de 99 anunciou que deixava uma carreira de 30 anos na Andersen Consulting (a partir de 89 como CEO) e um salário de US$ 4 milhões ao ano, para liderar um novo supermercado online que se chamava Webvan.

Com um histórico de ter conseguido que a famosa consultoria aumentasse as vendas de US$ 1,1 bilhão para US$ 8,3 bilhões, o sucesso de Shaheen na nova empresa parecia certo. Mesmo que o mercado já estivesse sendo desenvolvido por first–comers, como Peapod e HomeGrocer.

O começo de Shaheen na empresa foi tumultuado, com o SEC atrasando o IPO da empresa sob acusações de que esta teria deixado vazar a analistas informações privilegiadas. Porém, o inegável prestígio do figurão da Andersen acabou levando a um IPO acima da expectativa: 25 milhões de ações a US$ 15 cada, para levantar US$ 375 milhões, se transformaram em US$ 26 na abertura e fecharam a US$ 34 logo no primeiro dia, dando a empresa um market cap de US$ 8,45 bilhões.

Pesos–pesados como Kleiner Perkins Caufield & Byers, Benchmark Capital, Sequoia Capital, Goldman Sachs e Jim Barksdale, o antigo CEO da Netscape, entraram nessa. Nada mal mesmo.

A partir daí o valor das ações começou a cair e nunca mais se levantou. Em abril de 2001, apenas 18 meses depois, Shaheen decidiu por fim deixar a empresa. Já Louis Borders, fundador e maior acionista, conseguiu vender quase a totalidade das suas ações somente duas semanas antes da empresa fechar definitivamente: um total de 45 milhões de ações a 6 centavos cada. Ficou com somente 4,2 milhões desse pepino – e como conseguiu a façanha não sabemos explicar.

Justiça seja feita: o mercado onde a Webvan atuava é provadamente difícil, se não impossível. Várias empresas com um foco parecido (vender algum tipo de produto em todo o país) falharam antes: Furniture.com, Etoys, Pets.com…

A própria Peapod foi salva pelo gongo quando recebeu forte investimento da cadeia de supermercados alemã Royal Ahold e recentemente conseguiu atingir a tão desejado lucratividade na área de Chicago. Coincidentemente, foi nessa mesma cidade que a Webvan torrou US$ 40 milhões de dólares em um sistema mastodôntico de distribuição. A única área que a Webvan chegou a pelo menos não ter prejuízo foi em uma pequena cidade sem centro algum.

Mas a moral da história não é que grandes sistemas de distribuição não funcionam; outros exemplos já mostraram isso suficientemente.

A moral é que não adianta contratar figurões a peso de ouro.Estes não levam ao lucro, acabam tirando o seu da reta quando a batata fica muito quente e ainda por cima levam o pouco que restou da empresa.

Outro exemplo que mencionei em outro artigo é o da ex–presidenta da Ivillage, que, entre outras interessantes decisões, rejeitou uma oferta caída do céu da Growth Capital Corp para comprar 1,4 milhões de ações da empresa, o que capitalizaria esta (da qual obviamente ela não mais faz parte…) em US$ 30,8 milhões. Mas não vou entrar de novo nessa história.

Shaheen se defende de acusações de que não era minimamente operacional e pairava acima dos mortais dizendo unicamente "fiz o melhor que pude". Afirma que sua reputação não ficou manchada e que seu telefone está tocando sim. Acredito. Mas também acredito que mais uma vez ficou provado o refrão de que uma andorinha só não faz verão… [web insider]

Sobre o autor

Alvaro de Castro (acastro@kviar.com) é empreendedor.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

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Comentários

1 pessoa comentou o artigo "A maior de todas as quebradeiras"

Josebonifacio Data: 26/07/2006 às 20:31

Atividade: Universitário

Cidade: Brasilia

Achei muito produtivo, agradeço o autor por mais este artigo.
Como crítica apenas gostaria que fosse um pouco mais detalhado.
Até a próxima.

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