Sobre o aprendizado do profissional de internet
11 de julho de 2001, 0:00Webmaster autodidata comenta como é tortuosa a trajetória do profissional de informática e internet que acaba dominando muita coisa sobre quase tudo, lidera equipes e rompe rótulos e cargos.
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Li esta semana uma matéria sobre webdesigners no Caderno de Informática do Estadão que citava o [web insider] e entrei no site para conferir, especialmente em relação à matéria Recado para o aspirante a webdesigner (ao lado).
Achei muito legal e bem feita toda a abordagem sobre o assunto e concordo que há pessoas que não têm a mínima condição de exercer a profissão, umas por falta de conhecimento técnico, outras por não terem a mínima noção de design.
Porém gostaria de levantar uma questão e, se possível, até ajudar no debate. Como vocês mesmo disseram, hoje todo mundo tem que saber design e programação. Só que isso é terrível para quem está começando – somos injustiçados em todos os lugares onde vamos fazer entrevista. Vejam meu caso, por exemplo:
Comecei minha carreira fazendo manutenção de computadores; logo em seguida vi a necessidade de aprender a lidar com redes. Fiz cursos de rede e logo já estava montando servidores por aí afora, para ambientes internos ( files servers, print servers etc.) e para internet (webservers, mailservers, servidores para rodar banco de dados etc.).
A atividade me colocou no mundo da internet. Comecei então a dar palpites para os webdesigners com quem trabalhava – até que um dia eles se encheram e disseram: – Já que você dá tanto palpite, então faz você!. Resumindo, me afundei no Photoshop e FrontPage, aprendi as ferramentas, mas não me contentei. Queria entender o que era aquele monte de coisas que o FrontPage escrevia. Logo descobri o HTML. Estava pronto para ser um webdesigner, já que tinha bom senso e sabia que amarelo limão não combinava com rosa choque.
Então fui para a faculdade Anhembi Morumbi citada na matéria do caderno de informática do jornal e comecei a fazer o curso de criação e desenvolvimento de websites. Fui também fazendo cursos paralelos sobre Flash, Fireworks, Dreamweaver e direção de Arte para internet, em empresas como ENG.
Já sabia montar um servidor web, já tinha uma boa experiência em design pois também fui SYSOP de BBSs gráficas. Odiava programar e dizia que nunca seria louco para fazer isso.
Bem, os anos passaram e hoje também programo, apenas em ASP/SQL e um pouco de PL/SQL e javascript. Mas com muita facilidade arrumo soluções para todas as necessidades que me são solicitadas. Utilizo as linguagens que conheço e não me preocupo em ser um programador em tudo, pois mesmo sabendo lógica de programação não teria um conhecimento profundo quanto a componentes etc.
Conclusão: acho que posso me considerar um webmaster. Legal. Embora não faça tudo, afinal isso é humanamente impossível, posso de certa forma coordenar uma equipe e me colocar na área que mais aprecio naturalmente. Correto?
Sim, correto, pois hoje eu passo a maior parte do tempo cuidando da programação dos sites e de olho em tudo que ocorre na área de design. Dou meus palpites e idéias, embora não mexa o tempo todo na área atualmente. Também fiz questão de montar os servidores da empresa, para evitar problemas de segurança ou no banco de dados.
Pronto. Depois de cinco anos consegui o que queria. Embora não conheça todas as plataformas de sistema operacionais, consigo projetar uma solução completa, ainda que não execute tudo, como disse anteriormente.
Mas será justo o salário de profissionais como eu?
Será que devo ganhar como um programador? Gasto a maioria do tempo fazendo isso… Ou devo ser valorizado pelo que sei e pela noção que posso passar para minha equipe?
Bem, se quiserem levantar essa questão, estou aqui para fazer parte do debate.
Quer contribuir para o debate em torno das aptidões amplas de designers e programadores e salários nem tanto? Mande um e–mail, vamos gostar de receber. [web insider]

