Não adianta fingir que é grande
29 de junho de 2001, 0:00Menos, menos... quem exagera na apresentação desagrada a todos.
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O maior drama de uma pontocom pequena é como se apresentar ao público. Na tentativa de agradar gregos e troianos, freqüentemente encontramos sites que não parecem ter um foco, uma orientação definida, uma visão de si mesmos. O efeito final é que nem o grego nem o troiano ficam satisfeitos, ambos se sentem meio enganados.
O Grego é o público. Ele não se incomoda se o site é pequeno. De fato, até gosta, parece coisa de batalhador, algo digno de crédito, visto com carinho. Além disso, o público parte do princÃpio que o site lhe dará atendimento personalizado. Por exemplo, se enviar um e–mail solicitando alguma informação, será prontamente atendido por quem entende do negócio, em vez de passar por vários departamentos de incompetentes descompromissados. Para o público, a pontocom tem que se apresentar exatamente como é, um site pequeno.
Já o Troiano é o investidor. Merece um tratamento totalmente diferente, pois parece entender que o site é pequeno porque não trabalha bem – e não porque a internet não é a mina de ouro que ele sempre acreditou que fosse. Para o troiano, o site tem que se apresentar como portal, mesmo que só tenha umas poucas páginas. É a abordagem que enche os olhos do investidor e faz com que se abra a bolsa.
O exemplo mais evidente do jeito grego–troiano de ser está esta semana em um site de sorteios, onde a página inicial fala do próprio suposto sucesso, com tantos mil pageviews, cadastros, etc. Navegando um pouco nas páginas centrais, porém, o site revela que na verdade está parado totalmente, pronto para ser vendido ou alugado a quem quiser, pelo amor de Deus!
O enorme crescimento de vários empreendimentos online é pura conversa para troiano. Qualquer um pode fazer um conjunto de páginas e afirmar que se trata do "melhor site do universo conhecido", que "recebeu um first–round de US$ 4 trilhões de dólares" etc.
A estratégia não funciona mais. Hoje é feio querer parecer mais do que é. Gregos e troianos já estão calejados de acessar páginas de um superportal de um garoto com um Pentium.
O troiano vê que o garoto não tem capacidade de gerenciar uma equipe e que não dá para investir nele. Ou seja, um lado da questão se perdeu. Também o garoto não possui a capacidade de atender 200 e–mails por dia. O grego que não recebe resposta começa a perceber a verdade e acaba não mais acessando o site. Agora o outro lado também se perdeu.
Assim, acredito que o melhor approach é se focar no cliente, que em última análise é o único foco que qualquer pontocom deveria ter! Dane–se se o investidor é cego demais para perceber o verdadeiro valor do projeto! Preocupe–se com o break–even e com o cliente. Uma vez mais, a sinceridade é o melhor caminho. [web insider]
