Java ganha força (graças à Microsoft…)
15 de junho de 2001, 0:00Decididas a combater a iniciativa .NET, empresas como IBM, Oracle e HP tendem a conciliar forças com a Sun para prover software como serviço através da plataforma Java.
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A plataforma Java – tida por alguns setores como tecnologia ultrapassada – pode se tornar a principal pedra no caminho da Microsoft daqui para frente. Além da própria Sun, empresas como IBM, HP e Oracle começam a investir pesado em um Java aprimorado que tende a se tornar um suposto padrão da web. De novo?
Em uma nota à imprensa, o presidente da Sun, Ed Zander, exortou programadores a investirem no desenvolvimento de soluções através de Java, a fim de amenizar ou, quem sabe, até reverter a dominação iminente por parte da Microsoft com a iniciativa .NET – esta pretende transformar a web e o software como um "serviço" em forma de aluguel.
O movimento de Web Services não é exclusivo da Microsoft. A própria Sun possui um projeto, batizado de ONE, cujo principal objetivo é ser uma alternativa ao .NET. O problema, na visão da Sun e de outras empresas que apóiam o Java, é sobre até onde irá a compatibilidade universal que, até agora, é propagada pela Microsoft no que condiz ao .NET.
Enquanto a Microsoft aposta tudo na linguagem Extensible Markup Language (XML), considerada a inovação do HTML tradicional e respaldada pela W3C, a Sun tem na linguagem Java a sustentação do ONE e de projetos futuros. A empresa promete lançar os serviços via web no prazo de doze a dezoito meses.
O ponto crucial na abordagem da Sun é que os Web Services possuam uma arquitetura aberta, isto é, nada de incompatibilidade entre plataformas ou muito menos regalias a usuários que utilizem programas ou servidores específicos. Eis o principal medo em relação ao .NET da Microsoft.
O conceito de Web Services é migrar todas as tarefas típicas do computador de hoje para uma plataforma online. As soluções (ex.: softwares) não seriam realizadas sem o intermédio da internet. Quase uma nova cibercultura de trabalho.
Fato é que a Sun começa a ganhar espaço. Em fevereiro deste ano, uma pesquisa do Giga Information Group revelou que a Microsoft era considerada a principal provedora de serviços via web, seguida de IBM e, muito atrás, da Sun. A mesma pesquisa, realizada recentemente, mostra a Sun equiparada à Microsoft, ambas com 40% das opiniões.
Em um futuro não muito distante, quando os Web Services talvez cheguem a se tornar realidades úteis e viáveis, é possível que haja um novo embuste entre as empresas que optem adotar as soluções via .NET e as que prefiram ficar com o Java da Sun.
Uma outra pesquisa do Giga Information Group mostra que, a longo prazo, as empresas tendem a acreditar mais (63%) em servidores baseados em Java como uma estratégia de arquitetura de informação do que servidores .NET (23%).
Na eventualidade de a Sun conseguir abocanhar uma parcela de usuários através dos Web Services, a empresa estará ganhando a confiança de um setor até então quase desconhecido para ela: os usuários domésticos.
Desde o lançamento do Java, em 1995, a Sun nunca conseguiu chegar de frente ao computador doméstico e sucumbiu à proposta de competir com as soluções Microsoft dentro do Windows. Conseguiu, por outro lado, ganhar terreno apenas em servidores e a simpatia de programadores. Mesmo em páginas na internet, foi perdendo espaço gradualmente. Os navegadores de hoje sequer possuem suporte ao Java 2, versão turbinada do original.
Quem sabe, agora, a Sun esteja diante de uma nova oportunidade e, claro, um novo nicho de mercado. A compatibilidade entre periféricos em Java é grande. PDAs, telefones celulares, software, computadores de bordo etc. podem comunicar–se entre si de forma rápida e prática.
De acordo com a Sun, existem no mundo 3 milhões de celulares com suporte Java em uso. Até o fim deste ano, serão 20 milhões. No fim de 2002, entre 60 e 80 milhões, segundo estimativas da empresa.
A NTT DoCoMo, maior operadora de telefonia móvel do Japão, integra Java em seus aparelhos para prover downloads de novas configurações e jogos. Nokia e Motorola seguem o mesmo caminho. Para a indústria de telefonia, soluções assim (como o Java) podem transformar aparelhos celulares em MP3 Players, televisões portáteis e outras parafernálias.
No início de junho/2001, na conferência JavaOne na Califórnia, alguns protótipos e produtos finais foram apresentados. Entre eles, o J–SHO7, um celular com imagens coloridas e tridimensionais para jogos, graças ao Java. A Newcomer Gomid pretende concluir um novo browser para celulares que possa visualizar os sites tradicionais na tela do aparelho, também com Java.
A Microsoft que se cuide. [web insider]

