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Um palm que fala

30 de maio de 2001, 0:00

O celular será um micro potente, pago por assinatura.

Por Alvaro de Castro

A Intel anunciou recentemente que conseguiu desenvolver um chip que contém os circuitos principais de um telefone celular e de um handheld em uma única pastilha de silício. A empresa explicou que, com esse novo processador, os circuitos de telefones celulares serão cinco vezes mais poderosos do que os atuais e vão consumir apenas uma pequena parte de energia que consomem atualmente. A notícia não chega a surpreender.

Alguns meses atrás uma outra noticia falava sobre um telefone celular que custaria apenas uns US$ 20 e seria descartável. O usuário falaria até gastar os créditos hard–wired neles e me parece que nem carregador seria necessário, pois a bateria conteria carga suficiente para trabalhar até os créditos terminarem. O aparelho também não teria teclado: você fala o número a discar e pronto!

Já a tecnologia 3G da NTT DoCoMo, agora em fase final de testes, será uma revolução na maneira como trafegamos dados sem fio. As ridículas taxas atuais de transmissão de até 14 Kbps para celulares CDMA e 9,6 Kbps para TDMA serão postas à prova contra os 2 Mb/s que o 3G consegue atingir.

Com uma velocidade destas, é possível assistir TV pelo celular, ouvir rádio, fazer videoconferência, baixar MP3s, operar na bolsa de maneira real (e não essa brincadeira WAP que a toda hora cai) etc. E o melhor, o celular fica conectado o tempo todo à internet: você só paga pelos dados trafegados!

Por sua vez, os palmtops já chegaram a um nível de crescimento de um desktop com Windows CE (que, por incrível que pareça, é melhor e mais estável do que o 98). Adiferença de poder de fogo está diminuindo.

Assim, o mais parecido com um celular que teremos daqui a uns dois anos (previsão da Nokia e Ericsson para deslanchar seus aparelhos 3G) será o tal aparelho de US$ 20. Qualquer palmtop terá embutido um celular, queira você ou não.

Faz tempo que o negócio de celulares mostrou ser muita aporrinhação para pouco dinheiro. Não é à toa que a QualComm encerrou sua linha faz uns dois anos, que a Ericsson terceirizou e a Phillips pensa em parar. As operadoras entraram em um loop de oferecer mais e mais valor para usuários que nem contrato possuem, como a ATL, que recentemente passou a oferecer caixa de voz para seus celulares de cartão.

Lembro que na Espanha já ofereciam celulares em uma rede de supermercados cada vez que você comprava um pacote de laranjas. Obviamente, isto chegará a um ponto em que será necessária uma profunda reavaliação.

E a tal reavaliação virá na forma de um aparelho que definitivamente não é um celular, com recursos que talvez nem o meu desktop possui. Mas que possivelmente só vão funcionar se eu pagar minha mensalidade à operadora. Já pensou? O contrato com a operadora poderia incluir cópias de softwares como o Word, que viriam na forma de download, como a Microsoft está querendo promover com seu .NET.

Ou ainda acesso a portais com conteúdo exclusivo, como o UOL faz com seus assinantes. O aparelho poderia fazer backups periódicos no portal da operadora, sincronizar minha agenda, fazer miséria!

Enfim, deu para pegar o recado. Celular não dá mais dinheiro. Palmtops darão. E serão celulares, de qualquer jeito… [web insider]

Sobre o autor

Alvaro de Castro (acastro@kviar.com) é empreendedor.

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