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Criação

Bruno Rodrigues
Webwriting

Juntos pelo conteúdo

21 de maio de 2001, 0:00

O redator e o gerador de conteúdo não podem viver em mundos à parte..

Por Bruno Rodrigues

Um das fábulas mais interessantes (e menos conhecidas) de Esopo conta a história de dois castores que pouco se falavam, mas moravam em rios que corriam paralelos.

Um dia, em meio à construção de um enorme dique para conter o rio que teimava em se encher com a água da chuva, o castor do Rio da Direita notou, exausto, que os galhos estavam terminando. Sem graça, gritou, então, ao castor do Rio da Esquerda, se ele poderia doar um ou dois galhos.

Voaram dois galhos por sua cabeça, que o castor agoniado tratou de enfiar pelo amontoado de galhos que já começava a notar sinal de fraqueza. Desesperado, o castor tratou de ajeitar os galhos aqui e ali, até que, em pânico, perguntou mais uma vez ao castor do Rio da Esquerda se ele poderia jogar dois ou três galhos. Nem bem os galhos voaram para o seu lado, o castor nervoso encaixou–as em meio à pilha de galhos que agora tremiam como uma geléia, e estancou, paralisado, à espera do pior.

Alucinado, gritando por socorro, pela primeira vez em sua vida o castor do Rio da Direita subiu, atabalhoado, a encosta do seu rio, e já ia descer correndo para dentro do Rio da Esquerda, quando parou, chocado com o que via.

No Rio da Esquerda havia um outro dique, enorme e resistente, a conter a força da água. Deitado sobre ele, roendo calmamente um folha de árvore, estava o outro castor, que observava as centenas de galhos que haviam sobrado, flutuando à sua frente… Antes que o castor do Rio da Direita pudesse se arrepender de algo, o seu pobre dique arrebentou.

Em questão de minutos o rio transbordou, afogando o apavorado castor e cobrindo com enormes ondas o Rio da Esquerda – que engoliu o outro castor, sua folhinha de árvore e as centenas de galhos que haviam sobrado.

Sim, você não é um castor, a não ser que eu tenha uma nova estirpe de leitores; se for o caso, me avise;–). A lição que se pode tirar desta história (para nós, webwriters, inclusive), é que não adianta querer cuidar do seu rio/conteúdo sozinho, já que todo assunto ou tema é gerado por alguém que não é você.

Em resumo: todos os lados precisam se comunicar e, mais importante que tudo, todos têm sua responsabilidade sobre o que é disponibilizado. Em termos práticos, o webwriter tem suas funções, assim como o gerador de conteúdo tem as suas. O gerador pode mexer direto no conteúdo? É claro que sim (não se assuste, você não vai ficar desempregado – leia mais sobre o assunto em meu livro Webwriting – Pensando o texto para a mídia digital. E quais seriam as vantagens em ter dois cozinheiros preparando o mesmo prato–? A ver:

Comprometimento. Você é o redator e pensa a melhor distribuição de conteúdo, mas o "pai" dos assuntos abordados em uma página web deve ser o gerador de conteúdo. Você é o padrinho, no máximo. Não importa em que perfil de site você trabalha, construa uma tabela de Responsabilidade de Conteúdo e defina qual gerador cuida de quê. O grande benefício? A qualidade do que é disponibilizado melhora sensivelmente, já que toda palavra e parágrafo tem dono, e ninguém gosta de ser o culpado por erros. Desculpe, mas é a pura verdade. Em tempo: você é o castor do rio do lado, portanto não fique achando que você passou a bola para a frente e ponto final. Cheque se este trabalho está realmente sendo feito, e não reclame se for obrigado a cobrar se houver furo – você faz parte de uma equipe.

Atualização. Se o gerador de conteúdo fica exposto, a atualização passa a ser, também, uma das prioridades, você verá. Na tabela de Responsabilidade, abra um campo para Periodicidade, então. Não fique achando que só um castor faz o verão, já que atualização é um trabalho hercúleo. Prontifique–se a ajudar o gerador de conteúdo.

Envolvimento. Se a lição da história é que dois castores que trabalham em conjunto não morrem afogados, imagine você e o gerador de conteúdo pensando juntos – quantas boas idéias podem surgir! Para alcançar este patamar, contudo, é o preciso que haja vontade e envolvimento, e estes sentimentos só florescem com comprometimento.

Sim, a missão do webwriter está mudando – para melhor. Pensar conteúdo é nossa tarefa, e qualquer atividade que passe mais pelo cerebral que pelo mecânico é irmão gêmeo da inteligência. Prepare–se!

Ah, sim! A fábula acima não é de Esopo, eu que criei para esta coluna. Pois é, viu o que dá só ficar lendo sobre informática & internet? : –). Cultura geral é bom, gente – até fábulas (verdadeiras) de Esopo. Olha que o dique do lado pode arrebentar…[web insider]

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Atenção para as datas dos meus cursos! No final deste mês de maio, há Arquitetura de Informação em Brasília e, em junho, há Webwriting em Recife e Arquitetura de Informação no Rio de Janeiro. Sobre cursos em Curitiba, Belo Horizonte e São Paulo, envie–me seus dados por e–mail, O.K.? Eles estão na fila!

Sobre o autor

Bruno RodriguesBruno Rodrigues (bruno-rodrigues@uol.com.br) é autor do livro 'Webwriting' e consultor da Petrobras.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

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