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Criação

Marcelo Lima
Vale do Silício

Publicidade móvel sem abusos

17 de maio de 2001, 0:00

É assustadora a possibilidade de recebermos publicidade em qualquer lugar a qualquer hora. Uma empresa americana tenta resolver a equação.

Por Marcelo Lima

O caçador experiente sabe que deve esperar a presa ficar estática para desfechar com sucesso o tiro fatal. E, se for mesmo experiente, sabe também que isso acontece em poucos lugares, como o lago onde o animal vai beber água. Mas no final, o que acontece? Todos os caçadores convergem para o lago, espantam a presa e não conseguem fazer nada.

Agora, imagine se fosse inventada uma nova tecnologia para se atirar com sucesso na presa em movimento? O que aconteceria à pobre presa?

Quando ouvi falar de publicidade móvel me senti um alvo móvel sendo caçado com tecnologia celular.

Pense na possibilidade de estar calmamente andando na rua e ouvir seu telefone tocar. Você atende feliz pensando que é a namorada, mas a voz feminina, ao invés de mandar beijos, pede que você digite uma tecla para ver a promoção de uma empresa. Eu não gosto nem de pensar na idéia, pois seria o fim do celular como meio de comunicação.

Atividade vs. passividade

Em uma primeira análise, o modelo de publicidade que foi criado para rádio e TV simplesmente não funciona com aparelhos sem fio. O espectador ou ouvinte, sentado na poltrona ou preso no carro na hora do rush, passivamente aceita tudo o que vem pelos meios de comunicação de apenas uma mão, onde a única interatividade está em aumentar ou diminuir o volume.

Já o telefone celular exige um usuário ativo, que está buscando alguma coisa bem específica em cada interação. Um anúncio enviado ao celular interfere com a atividade do usuário, interrompendo a linha de raciocínio de quem não está passivamente esperando por informações aleatórias.

Além disso, há pouco espaço para qualquer trabalho gráfico na tela do celular. Simplesmente para se mostrar um nome de uma empresa já vão 10% da tela. Uma promoção mínima ocupa a tela toda… E onde fica o conteúdo?

Os caçadores mostram suas armas

Bem, todas essas questões devem ter passado pela cabeça dos experientes investidores–caçadores da Skygo. Vanguard Venture Partners e Ironweed Capital investiram mais de US$ 20 milhões na empresa baseada no Vale do Silício, que tenta adaptar modelos de marketing e advertising para a internet móvel.

Como você deve imaginar, não é uma tarefa fácil. Mas há caçadores (empresas de internet e anunciantes) desesperados para atingir seus alvos sem precisar pagar as altas licenças para os donos do lago (a TV, o rádio e mídias consagradas) e atingir a pobre presa, onde quer que ela se encontre.

A Skygo provê aos anunciantes, empresas de internet e operadoras a capacidade de criar programas de marketing e publicidade móveis. Seu produto se chama Mobile Advertising Platform (Plataforma de Publicidade Móvel), um sistema inteligente para se anunciar em quase qualquer modelo de aparelho móvel com acesso à internet.

A plataforma Skygo coleta dados sobre os visitantes de cada web site sem fio, formando um banco de dados de modo muito similar ao que é feito na internet convencional. Com isso fica muito mais fácil enviar anúncios de acordo com a preferência do usuário.

Além do software propriamente dito, a empresa também fornece completa infra–estrutura para a venda de anúncios e conexões com empresas de publicidade, anunciantes e empresas de promoções online.

Testes positivos

A empresa vem tentando mostrar a viabilidade de seu modelo por meio de um teste conduzido em Boulder, estado americano do Colorado, onde 1.000 usuários foram recrutados e durante quatro meses usaram smart–phones que recebiam anúncios e cupons com descontos para comerciantes locais.

Os resultados iniciais mostraram que 60% dos usuários acharam os anúncios bons e 90% deles acharam o sistema fácil de se usar. De acordo com a Skygo, o grande sucesso do teste foi o total controle que aos usuários tinham sobre quando e onde gostariam de receber os anúncios.

O enfoque criativo da Skygo para a publicidade sem fio tem chance de funcionar. Se continuarem ouvindo mais os usuários do que os anunciantes, a caça promete ser boa para caçadores e até para presas. [web insider]

Sobre o autor

Marcelo LimaMarcelo Lima é diretor de marketing da empresa de m-business ViVOwallet, em Los Altos, Califórnia, e trabalha há três anos no Vale do Silício com empresas de alta tecnologia e dispositivos sem fio.

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