Webinsider

Criação

Alvaro de Castro
Webmarketing

Os problemas das financeiras online

14 de maio de 2001, 0:00

Sites de investimentos vão demorar para decolar.

Por Alvaro de Castro

Em 1999 um grupo de veteranos do mercado de Fundos de Investimento se uniu para montar o que seria o primeiro portal de Fundos do mundo: Mutualfunds.Com. Investiram US$ 3 milhões com a idéia de chegar a US$ 1 bilhão de market cap. O portal teria múltiplas fontes de receitas, tais como uma universidade online para formar operadores de pregão, serviço de busca de executivos, ferramentas analíticas de análise de investimentos etc.

Nove meses depois a empresa ficou sem dinheiro e não conseguiu o segundo round de US$ 15 milhões de que precisava. Assim, desde setembro de 2000 na página do site só aparece a típica mensagem de "Vende–se domínio". Nunca chegou a fazer um tostão.

Repare que muitos empreendimentos parecidos nunca deram certo. Somente 5% da receita da Patagon, por exemplo, vem de corretagem. O resto vem de propaganda online, e–commerce e as receitas habituais de qualquer pontocom. O E–Money nunca deslanchou: até o Barclays Bank acabou retirando seu "e–wallet" do ar pelo pouco interesse que despertou.

O Banco1, instituição financeira criada pelo Unibanco para ser o primeiro banco totalmente virtual do Brasil, teve que voltar ao teto da mamãe depois de, em dois anos de existência, só ter conseguido 30 mil clientes. Agora que 38% dele foi adquirido pela Portugal Telecom e após profunda remodelação no seu site, talvez possa engrenar de vez…

Acredito que o problema esteja na falta de credibilidade que muito destes sistemas enfrentam. Do lado do pequeno investidor, convenhamos: se uma grande parcela da população ainda teme fazer uma simples transação de cartão de crédito pela internet, também hesita em aplicar o fundo de educação das crianças em algo que pode pifar ou sofrer fraude. Eu mesmo tenho minhas dúvidas.

Vejo que em muitas páginas de internet quando se pressiona o botão "Enviar" surge umamensagem de erro e fico apreensivo. E se isso acontecer no meio de uma transação? Ela foi efetuada? Meu dinheiro sumiu? Já o grande investidor muitas vezes não pode se dar ao luxo de operar com a média de 15 minutos de atraso entre as informações apresentadas e o que realmente se passa no mercado.

Talvez a única empresa que tenha se saído bem nessa história tenha sido a corretora americana Charles Schwab. Esta afirma que 70% de todas as suas transações provém da web e, curiosamente, as transações dos brasileiros são em média 60% maiores do que as americanas. Talvez se deva ao fato da Bovespa limitar em até R$ 50 mil por dia a quantidade que pode ser investida, o que torna o sistema pouco interessante para o investidor maior, que forma quase que a totalidade da base instalada de usuários.

Isto não significa que não há futuro, por favor! De outra maneira, não teríamos caixas eletrônicos e o site do Bradesco não teria sido escolhido o vencedor do "júri popular" do iBest deste ano. O que afirmo é que ainda teremos uns anos pela frente até que o povo se acostume a fazer investimentos pela internet. No Brasil demorará ainda mais: em geral conhecemos só a poupança e nem sabemos que é perfeitamente possível aplicar na bolsa apenas conversando com o gerente do seu banco Itaú ou Bradesco. [web insider]

Sobre o autor

Alvaro de Castro (acastro@kviar.com) é empreendedor.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: Nenhuma palavra-chave foi encontrada!

Comentários

Ninguém comentou o artigo "Os problemas das financeiras online"

Avisos
Os ítens com asterisco ( * ) são campos de preenchimento obrigatório.
Todos os links inseridos nos comentários possuem o atributo rel="nofollow" para impedir com que user agents (como os mecanismos de busca) sigam os links inseridos para desestimular spammers.
Todos devem se identificar através de e-mail válido.
Os e-mails dos usuários não serão divulgados no site.
Comentários:

Preencha os dados abaixo e clique em enviar

Webinsider