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DivX e DeCSS assustam Hollywood

09 de maio de 2001, 0:00

A revista 2600, referência no mundo hacker, sofre um processo judicial por disponibilizar o programa DeCSS, o pivô de toda a confusão envolvendo DivX, pirataria de DVD e indústria cinematográfica.

Por Nenhum

Paulo Rebêlo

A indústria cinematográfica havia ameaçado processar, desde o ano passado, a revista 2600 – considerada uma bíblia para os hackers de plantão. O motivo alegado foi um pequeno programa chamado DeCSS que, ao que tudo indica, foi solto ao público pela primeira vez através da 2600.

A revista tirou do ar por um tempo, mas em seguida voltou atrás e reativou os links para download do DeCSS. Agora, a 2600 luta na Justiça americana contra o processo aberto pela indústria e tenta levantar a bandeira da liberdade de expressão.

A tentativa de usar o direito de livre expressão garantiu à 2600 o apoio de setores acadêmicos, alguns cientistas da computação e, inclusive, da Associação de Editores de Jornais dos EUA. O problema, porém, é que o lobby por parte da indústria de cinema é muito grande, a exemplo do que ocorre com os meandros relacionados à música digital.

O DeCSS existe desde 1999. Criado por um adolescente frustrado em não poder ver filmes em DVD no Linux, o programa nasceu da vontade de burlar o esquema fechado da indústria com o Windows e permitir a reprodução do DVD no sistema operacional de código aberto.

Entretanto, a façanha implica quebrar o sistema de segurança dos DVDs, o chamado CSS – content scrambling system – que protegia o disco contra cópias e pirataria. O DeCSS simplesmente passou por cima da proteção.

Foi a partir do sucesso do DeCSS que o mundo começou a tomar conhecimento do DivX, considerado revolucionário por cientistas e técnicos de informática. Ao retirar o conteúdo do DVD e, em seguida, convertê–lo para DivX, um filme inteiro pode caber em um único CD convencional de 650 MB que pode ser lido em qualquer computador com drive de CD–ROM.

A indústria tenta, da mesma forma, perseguir o DivX e as ferramentas que possibilitam a extração de conteúdo e conversão para o formato, que na verdade não passa de uma nomenclatura. O DivX nada mais é do que um AVI turbinado, cujo algoritmo de compressão é baseado em uma revisão do MPEG 4 feita pela Microsoft.

A dificuldade maior da indústria é que o DeCSS foi apenas o pioneiro, mas não é o único. Hoje, são dezenas de utilitários com a mesma função e até melhores. Mesmo que a Justiça proíba o download do DeCSS a partir da 2600, centenas de sites fora do território americano disponibilizam o programa. Não haveria muito o que fazer.

O poder do DivX é tão grande que os criadores agora tentam comercializar a solução e, para tal, pretendem apresentar modelos de negócio para… a própria indústria. Batizado de Project Mayo, o objetivo é fazer com que o DivX se torne um padrão para transmissão de filmes pela internet.

Sonda–se ainda que, por causa do DivX, a Microsoft tenha antecipado o lançamento do Windows Media Audio 8. A tecnologia usada no WMA8 é exatamente a mesma utilizada no DivX. [web insider]

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