Delisted!
23 de abril de 2001, 0:00A vida fica difícil para a empresa despejada da Nasdaq.
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A história começa com a empresa tendo que preencher um formulário 12b–25 para explicar porque não emitiu o Quarterly Report na data certa (obviamente porque tentava esconder os horríveis números do último período).
Continua com o CFO pedindo demissão (para não sobrar para ele..). Termina com a empresa recebendo o temido fax da Nasdaq, informando que as ações não podem ser mais comercializadas naquele pregão. Isto na prática significa o fim da startup, que será jogada em mercados com pouca ou nenhuma liquidez e perderá o fôlego necessário para continuar operacional até o break–even.
Na teoria, para uma empresa ser delisted, basta suas ações estarem cotadas a menos de US$ 1 durante 30 dias úteis seguidos. Após este prazo, ela receberá o temido fax e terá 90 dias úteis para que as ações superem esse valor. Se não, tchau.
A partir deste ponto só resta um mundo de mercados sem liquidez, como o OTCBB, ou até mesmo os Pink Sheets (veja coluna anterior, "Há jóias nos OTCS", ao lado).
Porém, na prática a exclusão da lista não é tão automático assim. De fato, estudo da FactSet apontou 257 empresas que já deveriam ter sido eliminadas do pregão mas que misteriosamente continuavam nele listadas. Para que isto aconteça é necessário apelar a quase que um "jeitinho" brasileiro, seja conversando com brokers, com a própria Nasdaq, com políticos e sabe–se lá quem mais, para tentar demonstrar que a empresa está saudável.
Tomemos por exemplo, a Fusion Networks (FUSN). Para manter–se na Nasdaq, as condições exigiam pelo menos US$ 4 milhões em ativos tangíveis, um valor de mercado de pelo menos US$ 50, além do clássico valor de face de US$ 1. Em 22 de dezembro do ano passado as ações ficaram abaixo desse nível e se encontram a somente 1 centavo. Como conseguiram ficar só eles podem dizer…
Outro jeito muito usado, legal e válido, é o Reverse Stock Split. A empresa anuncia que um número X de ações serão convertidas em somente uma. APlanetRx.com tentou isso, convertendo oito ações em uma. Não deu certo, porém. Quando finalmente conseguiu fechar a operação, as ações valiam somente 13 centavos: perto demais da barreira dos US$ 1, que foi prontamente atingida e a empresa eliminada do pregão. Além disso, os custos envolvidos na transação são geralmente altos demais para uma empresa que já está à beira do abismo e não pode apostar em algo que não ofereça 100% de segurança.
Independente de como se dará o delisting, o fato é que muitas empresas acabarão preferindo mesmo fechar as portas. É doloroso demais, depois de experimentar o gostinho do burburinho da Nasdaq, enfrentar um mercado parecido com as cidades abandonadas de filme de faroeste. Nada impede a empresa de voltar à Nasdaq, mas o estigma de já ter sido retirada sempre permanecerá, tirando liquidez e valor das ações da empresa. [web insider]
