Pense no conteúdo como uma célula
22 de março de 2001, 0:00A idéia de um site como um grande banco de dados finalmente encontra a visão da comunicação.
Por
Parabéns! Você alugou o apartamento dos seus sonhos: três quatros espaçosos, uma sala bem arejada, um banheiro razoável e uma cozinha pequena, porém funcional. É hora de dar vida à arrumação que você sempre quis.
Para os dois primeiros quartos, vamos abusar: móveis grandes e pesados. Para o menor deles, pouco mobiliário, e tudo em compensado de madeira. Para a sala? Como a luz bate em quase toda a área, a escolha é por quadros coloridos, sofá e poltronas amarelos. Na cozinha, de nada serve aquele enorme armário que você trouxe do outro apartamento: venda–o – afinal, já há dois pequenos instalados.
Feliz da vida, vem a notÃcia: o dono do apartamento o quer de volta e você tem pouco tempo para sair. Dois meses depois, você é o perfeito pateta: a nova casa tem dois quartos bem pequenos ("o que faço com a mobÃlia pesada, meu Deus?"), uma sala nos fundos ("alguém viu o sol por aÃ?") e uma cozinha, bem, sabe–se lá o porquê, enorme, onde caberia direitinho aquele armário grandão…
Não, você não está em um site de decoração. O que quero mostrar com este exemplo é como muitas vezes nos preocupamos em criar conteúdos tão identificados com uma determinada formatação, com o design da página e com a arquitetura de informação vigente naquele momento, que a idéia de mudar um milÃmetro sequer desta estrutura nos dá arrepios. Mas para o cenário que se aproxima, enxergar a distribuição de conteúdo desta maneira é apocalipse now na certa – e sem volta.
Estamos prestes a encarar uma internet madura, em que as aventuras da adolescência serão deixadas para trás. Satisfazer o cliente do seu site, o usuário que freqüenta sua página, é o objetivo número zero.
Neste novo ambiente, o velho menu por assuntos tem agora companhia: é hora de abrir espaço para uma indexação por públicos, por exemplo. Partindo deste raciocÃnio – e desta realidade –, já pode–se perceber bons arquitetos da informação estruturando um cenário onde não importa qual a maneira de acessar o conteúdo, e mesmo se a entrada será mais de uma: o internauta irá acessar o mesmo conteúdo.
O que significa isso? Que não é mais aceitável que um conteúdo informativo seja criado em função da área onde está locado, e que webdesigners que elaboram páginas dentro deste raciocÃnio serão deixados para trás. O que importa é a página individualmente, o conteúdo celular. Todas as páginas que um webwriter produzir daqui para a frente deve ser imaginada como um item que é pinçado de um grande conjunto de informações, e depois a operação se repete de outra maneira, com um outro raciocÃnio de escolha, por um outro público.
O conteúdo celular não é apenas uma nova maneira de pensar o conteúdo, mas todo um novo webwriting, em que a distribuição de conteúdo pelas páginas web não é mais engessada, onde são deixadas para trás as amarras das caixinhas de conteúdo. O que importa agora, pra valer, é a informação.
Utilizando o raciocÃnio do conteúdo celular, você verá que fica muito mais fácil:
– Enxergar a funcionalidade de cada informação ("ela é útil ou não é?")
– Nomear a página ("este tÃtulo reflete mesmo o conteúdo da página?")
– Perceber cruzamentos de informações ("este assunto se assemelha comque outros neste mesmo site, e em quais páginas?")
Com o conteúdo celular – resultado do um momento delicado, mas promissor, da internet –, chega o momento em que a idéia de um site como um grande banco de dados, advinda da informática, funde–se finalmente com a visão da comunicação, em que o objetivo primordial é dar ao receptor o que ele deseja.
Bingo – subimos mais um degrau, meu amigo. Comemore!
* * * * * * * * * * * * * * * *
No inÃcio deste ano, ministrei o primeiro curso da série Arquitetura da Informação, que funciona como segundo módulo do meu curso de Webwriting, mas também pode ser feito isoladamente. Não fique de fora! Se você deseja informações sobre estes cursos, envie–me um e–mail – terei prazer em enviar–lhe as ementas. E anote as próximas datas: em abril, há curso de Webwriting em São Paulo; em maio, no Rio; em junho, em BrasÃlia e Recife. No inÃcio de abril há Arquitetura da Informação no Rio, e em maio em em BrasÃlia. Estou, também, criando turmas de Webwriting para São José dos Campos e Porto Alegre. Participe!
* * * * * * * * * * * * * * * *
Essa é imperdÃvel: o grupo Jornalistas da Web – iniciativa dos colegas Mario Lima Cavalcanti, Yami Trequesser e MaurÃcio Santoro – e a agência de registro de domÃnios Dominal.com estão com uma promoção imperdÃvel: aos jornalistas cadastrados na lista de discussão, a empresa está oferecendo, gratuitamente, a possibilidade de ter um site profissional na web. Como, você ainda não conhece o Jornalistas da Web? ;–) [web insider]

