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MP3.com muda uma promessa da internet

21 de março de 2001, 0:00

Artistas independentes agora terão que pagar taxa mensal de 20 dólares para terem seus trabalhos disponíveis para download e disputar o interesse do público.

Por Nenhum

Vicente Tardin

Pobre de quem tem um site sobre música com foco em artistas independentes. E também do artista independente que pensou que a internet poderia gerar vendas a partir de divulgação gratuita.

Explicando melhor – a americana MP3.com, pioneira na divulgação do trabalho de artistas independentes, começou no ano passado a remunerar os artistas cujas músicas eram mais procuradas pelo público, por streaming ou download. Excelente iniciativa, considerando que assim o artista sem gravadora poderia faturar algum, enquanto o site ganhava pela audiência obtida.

Mas os tempos são cada vez mais difíceis e não basta uma enorme audiência para tornar um negócio de internet viável economicamente. É preciso encontrar outras formas de faturamento, além das receitas de publicidade insuficientes.

Há uma grande demanda por serviços de distribuição de música gratuita, mesmo a de artistas menos conhecidos. O que parece difícil de acontecer é a capacidade de transformar esta demanda em um negócio que dê algum lucro.

A MP3.com possui várias frentes neste sentido, como a assinatura do serviço My.MP3.com (ainda boicotado pelas gravadoras) e mesmo o streaming para lojas e empresas, onde concorre nos Estados Unidos com fornecedores mais tradicionais, como a Muzak.

Na semana passada foi lançado outro esforço de monetização, onde os fãs podem comprar links nas páginas de seus artistas favoritos e assim contribuir. Antes disso os artistas também já podiam pagar para aparecer melhor em partes nobres do site, em serviço ironicamente chamado Payola Songs (payola nos Estados Unidos é sinônimo de jabá em português).

Prosseguindo no mesmo estilo, na sexta–feira passada a MP3.com anunciou que o sistema Payback for Playback seria reformulado. A empresa vai continuar remunerando os artistas com base nas taxas de download, mas passa a partir de abril a cobrar US$ 19,95 por mês para manter disponíveis as músicas dos independentes, que são em torno de 150 mil.

Sim, há artistas que faturam bastante pelo sistema, como é o caso da banda 303Infinity, que no ano passado recebeu mais de US$ 165 mil. Porém a maioria dos artistas não ganha o suficiente para pagar a taxa de manutenção. Muitos deverão se afastar.

A empresa batalha para atingir o equilíbrio financeiro ainda este ano. Custa dinheiro monitorar todos os downloads dos artistas gratuitos e administrar uma planilha de pagamentos cobrindo tantas canções. O site mantém a promessa de pagar cerca de US$ 1 milhão por mês aos artistas mais procurados, mas está pedindo alguma coisa em troca.

A taxa mensal de quase vinte dólares muda muita coisa. Traz mais receita para a empresa e expõe melhor os que aceitarem pagar, garantindo visibilidade e prioridade nos resultados de buscas. Ao mesmo tempo, descarta os mais duros, realidade bastante comum entre artistas independentes.

Trata–se de mais um sinal no sentido de que a ordem econômica normal, digamos assim, começa a imperar na internet. [web insider]

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