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Alvaro de Castro
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Uma semana no Vale do Silício

13 de março de 2001, 0:00

Uma instrutiva visita ü meca das empresas de internet e tecnologia.

Por Alvaro de Castro

"That’ll be US$ 3,40, Sr.". O sotaque fortemente oriental não foi suficiente para me distrair do fato de que eu só pedira um miserável café expresso. Foi um belo tapa de "Acorde! Você acaba de chegar no aeroporto de San Francisco! Aqui tudo é caro pra xuxu!".

De fato, os preços caríssimos se repetiriam uma e outra vez durante os escassos sete dias que passei no Vale do Silício, visitando empresas, VCs e faculdades. US$ 65 por uma diária em um hotel de beira de estrada, US$ 8,50 por um hambúrguer, US$ 33 a diária de um carro modesto etc. Curiosamente, o ICMS deles é de apenas 8%, enquanto que o nosso é de 18%…

Já no primeiro dia pego a autopista 101 para me ambientar um pouco pelas várias cidades que compõe o Vale. RedWood City (lar do Napster, como veremos depois), Menlo Park (paraíso dos Venture Capitals), SunnyVale (AMD, HP, Lockheed Martin), Cupertino (Apple, Rational, Symantec), Palo Alto (Sun), Santa Clara (Intel, 3Com, Nortel), San Jose… Já deste esta se vê algumas empresas como a Sun, Ampex, Excite@Home etc.

Do rádio vem a notícia de que pensam aproveitar o fato de que 20% da energia da Califórnia vem de fora do estado como uma saída para a gravíssima crise de energia elétrica que enfrentam. A privatização desastrada do setor feita anos atrás criou uma situação onde não importa quanto você consome de eletricidade – o preço é sempre o mesmo.

Para piorar, este valor está congelado até o ano que vem. E, pior ainda, a tarifa não paga nem o começo do gás e petróleo que o estado queima para conseguir energia, pois o potencial hidroelétrico é quase nulo (basta ver as montanhas peladas que o circundam). Como o preço mundial do petróleo disparou nos últimos meses, comprar energia mais barata de outros lugares poderia ser uma boa idéia e o México é o candidato ideal. Bom para aquele país.

Resolvo conhecer a sede do Napster sem consultar previamente sobre a minha visita. Imagino que a empresa, bastante conhecida, tenha algum tipo de tour ou coisa que valha (a Intel têm). Mas o momento era difícil, pois apenas três dias antes a 9a Vara de Apelações da Califórnia tinha decretado o serviço como ilegal.

O lugar é realmente engraçado. Localizado em uma feia avenida de RedWood City, perto de um K–Mart e sem nenhum cartaz externo, o prédio cinza de dois andares mais parece um "pawn shop" ou depósito qualquer. Porém, os carros esportivos estacionados na parte de trás (um é de um amarelo ovo realmente chocante, será do Shawn Fanning?) e algumas capas de revistas com artigos sobre a empresa coladas na parede da entrada identificam o lugar. Como deveria ter imaginado, não só não tem tour comodesconfiam que eu seja algum advogado ou espião e me convidam a voltar em outra hora…

Visito vários investidores na meca do Venture Capital, a Sand Hill Road, exatamente entre Menlo Park e Palo Alto. No início não entendo nada. Esperava vários prédios e só vejo mato e algumas poucas casas. Só no final, já pertinho da autopista 280, é que aparecem algumas casas meio que escondidas nas árvores, com tabuletas na frente anunciando um monte de VCs.

Visito alguns escritórios com os quais tinha agendado e outros na cara e na coragem. Nos dois casos para se entrar na empresa não é preciso crachá nem nenhuma burocracia. Nunca tem ninguém na recepção; alguém até poderia entrar e carregar o invariável laptop da recepcionista sem ser notado.

Em todos os casos encontro gente muito receptiva e amigável, afirmando que continuam investindo sim, que essa história de Nasdaq é muito media–hype, que continuam acreditando na internet, que já fizeram muita grana e ainda vão fazer mais etc. Que bom!

Na volta, escolho voltar pela autopista 280. Bem diferente da 101: mais rápida (todos acima da velocidade máxima de 110 km/h), afastada, e sem nenhuma empresa por perto. Nos próximos dias descubro que não importa a autopista (as duas têm seis pistas de cada lado); se for a hora do rush, quando os commuters que trabalham no vale mas moram em San Francisco estiverem nela, não passarei de 30 por hora…

Finalmente, já de volta em Miami esperando meu vôo para São Paulo, peço um café no aeroporto. Somente US$ 0,59. Pois é… :P [web insider]

Sobre o autor

Alvaro de Castro (acastro@kviar.com) é empreendedor.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

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