Eles cobram por conteúdo! (parte 1)
05 de março de 2001, 0:00Site dedicado à culinária vai se saindo bem na iniciativa de cobrar por receitas de dietas com reeducação alimentar. Iniciativa do CyberCook pode inspirar outras.
Por
Acredite: a iniciativa de cobrar pelo conteúdo de um site não está apenas viva, como vem tomando vulto no mundo inteiro. Há apenas três anos, tentar lucrar com informação era algo visto como heresia, um atentado ao ‘espÃrito livre’ da internet.
Portais importantes – e costumeiros celeiros de boas idéias – como o famoso The New York Times foram obrigados a dar marcha ré em sua estratégia de ganhar dinheiro com informação. Como o mais importante, para a época, era fazer com que o máximo possÃvel de pessoas adentrassem à rede e soubessem da existência das versões online das empresas, o www.nyt.com e mais uma penca de sites deram para trás com medo de uma reação em cadeia da mais pura rejeição. O recuo foi vendido para o público como ‘vitória da liberdade de expressão’, e não mais se ouviu falar na idéia.
A cobrança de conteúdo continuou sendo praticada em estilo low profile em redutos incômodos, como sites pornográficos; em nichos menos cotados, como sites horizontais; e até no próprio NYT, que empurrou a cobrança para os leitores estrangeiros, causando mais gritaria.
Um exemplo de conteúdo pago bem sucedido é o site do Wall Street Journal. Mas a verdade é que, em larga escala, o lucro com informação ficou no terreno da ficção cientÃfica, adormecido em alguma pasta poeirenta sobre o ‘futuro da internet’.
O tempo passou, até sua avó já navega com o pé nas costas, mas o quadro não é mais a favor da grátis total. Justamente neste cenário repleto de investidores receosos em fazer novos aportes de capital, preocupados com os rumos da história da rede, que ressurge a idéia de lucrar com a informação.
Desta vez, a cobrança de conteúdo não chega ‘mascarada’ e acoplada ao provimento de acesso à rede, como big players como AOL (nos EUA) e UOL (no Brasil) vêm fazendo há anos. É notável como, nos últimos meses, estes mesmos gigantes da rede têm estimulado seus sub–sites a cobrar pelo que veiculam.
Desejar que os internautas paguem apenas por uma informação sem nenhum valor agregado ainda é loucura, mas o conteúdo funcional, aquele recheado de informações tão úteis para você que se transformam em serviço, tem sido utilizado como chamariz. Afinal, quem não pagaria, por exemplo, por boas dicas que possam vir a facilitar seu dia–a–dia? Eu pagaria o que fosse preciso (com limites, é claro) por um guia online de construção de minha casa, principalmente se, à reboque, viesse um consultor que estivesse à minha disposição…
Este é o raciocÃnio de empreendedores como Alexandre Canatella, maître do delicioso CyberCook, site filhote do UOL que, desde inÃcio de dezembro, cobra pelo acesso a um de seus principais quitutes, o programa de reeducação alimentar CyberDiet – semelhante, mais infinitamente superior, ao que os Vigilantes do Peso fazem no mundo real (e não no mundo virtual, sabe–se lá o porquê…).
Canatella e seu site sempre foram vistos como ‘parceiros estratégicos’ de conteúdo pelo UOL, mas não havia investimento. Tudo mudou ($) quando surgiu a idéia do CyberDiet, e a equipe do portal foi a primeira a gritar que era hora de cobrar. O sonho de todo empreendedor web, de criar uma fonte natural de renda, ancorada no core business do site (leia–se informação), estava prestes a se realizar?
Até agora, tudo vai bem. Em três meses a empreitada de Canetella+UOL têm surtido efeito, visto que o número de adesões já chegou à casa do milhar há algumas semanas. O retorno com cobrança de conteúdo/serviço, se compararmos o aferido com publicidade online no mesmo perÃodo de três meses, já supera em quase três vezes o valor a sacolinha passada pelo primo banner. Que ninguém seja bobo em imaginar o fim da publicidade online, mas saber que ela poderá andar de mãos dadas com a cobrança de acesso a conteúdo já é, de longe, a primeira boa nova do ano.
O CyberDiet terá sua prova de fogo neste inÃcio de março, quando os primeiros assinantes do serviço terão encerrado a parte inicial do programa e serão estimulados a participar da segunda etapa. Vai surtir efeito? Ainda é cedo para afirmar, mas uma coisa é certa: estaremos todos de dedos cruzados, assim como devem estar, neste momento, milhares de outros empreendedores da rede empenhados em iniciativas semelhantes no mundo inteiro. Boa sorte para todos – e preparem–se para mais um looping da montanha russa! [web insider]


