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Spammers, acordem! Isto não leva a nada

02 de março de 2001, 0:00

O spam vem crescendo e muitos estão aderindo por não compreender a essência do problema: a mensagem não–solicitada não serve para começar um diálogo.

Por Nenhum

Daniel Pádua

O spam é uma prática conhecida de todos nós há muito tempo e desde então muito combatida. Resumindo, é a mensagem não solicitada enviada por e–mail para uma lista de pessoas selecionadas segundo critérios nem sempre confiáveis (basta ver que hoje em dia se recebe de tudo, desde ofertas de perfumes a cones de sinalização de trânsito).

Pois bem, o que importa é que a atividade está em ascensão na web, embalada pela promessa de que um dia se tornará relevante, já que os mecanismos de classificação de pessoas tendem a se especializar cada vez mais. E exatamente por esta suposta "iminente" relevância, alguns profissionais insistem que o ato de mandar uma mensagem não–solicitada não configura invasão de privacidade, mas sim um benefício para o destinatário por ser pertinente. Mas sabemos que é bobagem, eles querem é vender e pronto.

Por isso, deixando o debate ético de lado, e analisando a questão da eficácia comercial, o spam é sem dúvida carente de sentido.

Primeiro, porque é muito difícil classificar com precisão as pessoas, pois seus interesses são muito dinâmicos.

Segundo, porque o spam é uma mensagem de interrupção. Com o tempo, serão tantas mensagens "surpresa" ignoradas, que o índice de retorno vai cair vertiginosamente, como já aconteceu com o banner. Cada vez gasta–se mais para se ter visibilidade, mas ao mesmo tempo, as pessoas podem apertar delete muito mais facilmente para economizar tempo.

Terceiro, porque mesmo sendo extremamente direcionado, o spam continua sendo não–solicitado. Considerando que a correspondência é algo muito pessoal, talvez mais ainda na internet, isso é como sofrer um pequeno assalto – só que desta vez tentam roubar nossa atenção e nosso tempo.

E quarto, a internet é um ambiente de comunicação livre entre as pessoas. Se alguém (entre a maioria que ignora a mensagem) apertar delete, pode saber: nunca mais (nunca mais mesmo) sua marca vai ser vista com bons olhos. E essa informação vai correr nos círculos pessoais.

O e–mail é um excelente canal de diálogo, que é a essência de qualquer relacionamento. Algumas pessoas podem alegar que uma mensagem não–solicitada é justificável porque alguém deve tomar a iniciativa. Mas um diálogo só acontece através de uma aproximação amistosa num momento apropriado.

Se há realmente o interesse no diálogo, na construção de um relacionamento, é melhor parar de ficar pulando na frente das pessoas e deixar que elas venham até você, através das histórias contadas por seus outros clientes, estimulados a espalhar para o resto do mercado como seus diálogos têm sido interessantes. Basta manter–se disponível e concentrar–se nas expectativas reais dos seus clientes.

Vamos esperar que os spammers entendam que os pequenos resultados alcançados não compensam as impressões negativas, pelo menos em negócios sérios. [web insider]

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