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Bruno Rodrigues
Webwriting

Esqueça o sexto sentido

20 de fevereiro de 2001, 0:00

Navegação intuitiva não é navegação paranormal – cuidado!

Por Bruno Rodrigues

Era uma vez um grande recipiente de informação denominado portal. Eldorado da web, o portal – como o nome diz –, era a via de entrada para um mundo de notícias, entretenimento, comércio e novos contatos. Ele havia nascido para reinventar a rede, para ser sua mais perfeita definição, um pequeno grande exemplo do que a internet era capaz de oferecer.

Lá, imenso grupos de internautas, sempre fiéis à morada escolhida, se encontrariam para comprar, bater papo, ler o jornal do dia – viver, enfim. Era o ápice do mundo virtual, a felicidade eterna dos empreendedore$ da web, tudo o que eu e você jamais poderíamos ter sonhado.

Não deu certo? Claro que deu – e aí começa o problema. Os portais passaram a dominar a rede, o conteúdo passou de grande a imenso, enquanto a competição ficava cada vez mais acirrada. Precisava–se oferecer tudo o que o internauta/cliente pudesse vir a necessitar e daí para boa parte dos portais transformar–se em descomunais buracos negros foi um pulo. Por vezes tenho a impressão de que, daqui a alguns anos, administradores de sites encontrarão desde guarda–chuvas a adolescentes perdidos… ;–)

Ainda que uma miscelânea, nasceu aí o conceito de conteúdo global, a idéia de que todo o conteúdo informativo de um site deve ter alguma ligação entre si, por mais que os sites de um mesmo portal abordem temas totalmente diferentes, e ainda que esta interseção venha a ser sutil. Mas é um desafio e tanto. O portal é hoje o maior desafio da internet, o grande abacaxi a ser descascado. Realizar o trabalho de achar semelhanças entre alhos e bugalhos consome toneladas de neurônios e muito, muito tempo.

Muitos são os que, neste exato momento, tentam solucionar esta equação capaz de transformar Einstein num camelo, mas outros ainda cometem erros crassos capazes de enrubescer – sejamos bondosos – um cachorrinho adestrado. Mas há dois problemas sérios, difíceis mesmo de ser resolvidos, e que vale a pena citar aqui:

Navegação intuitiva

Então fica combinado assim: fulano cria um portal de três mil páginas, com sessenta camadas de informação, quarenta e oito sites verticais, e cria também dois ou três menus da primeira página com itens como ‘Revistas’, ‘Lojas’ ou ‘Comunidades’.

Como o internauta vai enxergar todo este conteúdo, digamos, carregado? "Simples", explica o criador do portal. "É navegação intuitiva, o internauta sente, ou percebe por associação o que vem adiante". Solução dada, trabalho fechado, o gênio parte para o próximo job da agência.

Só um detalhezinho: navegação intuitiva existe, sim, mas é bom não confundir com navegação paranormal, em que o internauta – acho eu que deve ser este o raciocínio de que quem aposta neste tipo de navegação em um portal – é possuído por um espírito e enxerga o que há adiante, em meio aquele emaranhado de informações.

Ou talvez ele use o terceiro olho, sei lá. Mas é fácil falar – difícil é tornar atraente tanta informação. Como resolver? Ainda não inventaram a vacina, mas há tratamentos interessantes, como o que sugere que, ao invés de pôr no pull–down menu apenas "Revista She", por exemplo, você substitua por "She, a revista para a mulher moderna"? Não dói e faz uma diferença e tanto. Um site não é um banco de dados, a persuasão é a base de tudo, lembre–se.

Linguagem universal

OK, a partir do momento em que você clicou em alguns dos sites oferecidos por um portal, estamos em casa. Espera–se que lá todos falem a sua língua, que seu dialeto seja a moeda corrente. Mas, e na primeira página de um portal, como chamar a atenção para tanto conteúdo diferente?

Atenção: não estou falando de atrair o usuário experiente, aquele cara que já conhece onde é seu canto e sabe até o CEP de cor, mas sim do internauta que deseja encontrar sua tribo – sim, eles ainda andam por aí, por mais que muitos desenvolvedores de sites queiram passar batido. Como resolver este problema?

O antídoto atende pelo nome de personagem, e é um velho conhecido seu. Isso mesmo, é aquele monstrinho fofinho que chama a atenção de todo mundo na televisão, que tem o poder de seduzir da primeira à terceira idade. Soa infantil? Pois é, tenha cuidado: ao criar um personagem para seu site, passe ao largo do infantil, mas aposte no lúdico – é ele que é capaz de unificar, ainda que por um instante, toda a idéia do portal. E utilize–o quando preciso (e se for possível) em cada um dos sites verticais, como um guia de turismo ou um tira–dúvidas. Funciona.[web insider]

Sobre o autor

Bruno RodriguesBruno Rodrigues (bruno-rodrigues@uol.com.br) é autor do livro 'Webwriting' e consultor da Petrobras.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

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Comentários

2 pessoas comentaram o artigo "Esqueça o sexto sentido"

claudia Data: 28/07/2006 às 14:10

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Gostei do artigo.. mas tenho uma duvida e acho q vc pode me esclarecer: o que é um site vertical? O que o define? Quais os outros possíveis?

obrigada,

claudia

Lucas Data: 23/10/2009 às 3:36

Atividade:

Cidade:

Interessante!

Lucas
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