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Software será alugado, em vez de vendido

16 de fevereiro de 2001, 0:00

Em pouco tempo os programas para computador serão alugados por assinatura, alternativa que deve entrar em operação através de iniciativas de fornecedores como Microsoft, Sun e HP.

Por Nenhum

Paulo Rebêlo

Ainda hoje há pouca clareza quando se fala sobre a iniciativa .NET da Microsoft. Pode–se usar definições variadas, porém, mais simples é dizer que se trata de um novo conceito, interessante e viável, de gerar receita, evitar pirataria e ampliar ainda mais a abrangência global da empresa.

Benefícios ao usuário/consumidor? Não exatamente, apenas conseqüências.

Além da Microsoft, outras empresas pretendem lançar serviços similares ao .NET (lê–se dotnet em inglês e pontonet em português), como é o caso da Sun Microsystems e da Hewlett–Packard.

O modelo a ser adotado pelo .NET é simples. A exemplo da TV a cabo, o cliente arcará com uma mensalidade pelos serviços prestados. Diferente da TV a cabo, pagará apenas por aquilo que realmente usar.

O modelo de assinatura é bom para os usuários legalizados e para as empresas. Um pacote gigantesco, como o Microsoft Office, é subutilizado quando só o Word ou o Excel entram no dia–a–dia, enquanto aplicativos de peso, como o Access, ficam de lado.

É viável realçar, contudo, que o .NET não se fará presente, ao menos com força, antes do fim de 2002. Entretanto, uma prévia poderá ser testada no segundo semestre, com o lançamento do Windows XP, próxima versão do sistema operacional voltado a usuários domésticos e pequenos escritórios.

O projeto da Sun, batizado de ONE, consiste em uma alternativa ao domínio Microsoft. A Sun pretende lançar, até o segundo semestre de 2002, um pacote de aplicativos que possa ser assinado via web e utilizado sob demanda. Não muito diferente do .NET de Bill Gates.

O conceito ONE será baseado em Java, enquanto o .NET, ao que tudo indica, usará XML.

Na segunda semana de fevereiro/2001, a HP também anunciou um projeto de software como serviço. Inicialmente, espera–se que os produtos por assinatura da empresa sejam programas voltados a servidores e estações web.

O conceito de software por assinatura chegou a um ponto sem retorno. Acredita–se que o modelo é rentável, eficiente e tende a crescer em escala diretamente proporcional ao crescimento da banda larga.

Melhor ainda, serviços de assinatura dificultam a prática de pirataria e as cópias ilegais. A Microsoft, por ser a maior prejudicada, sem dúvida é a que mais pretende reverter a situação em tempo hábil.

Atualizações de segurança e correção de bugs podem ser facilitadas. Em vez de lançar um novo sistema operacional completo (e caríssimo), como vem fazendo até hoje, a Microsoft e as suas concorrentes poderão criar modelos de assinatura com direito a um upgrade total.

Quando disponível, o novo sistema operacional poderia ser baixado (download) pela internet. Assinaturas a um custo mais baixo não incluiriam uma atualização maior, por exemplo.

Talvez nem fosse necessário fazer o upgrade, pois uma parte das correções seria realizada no próprio servidor remoto e outra ficaria disponível no Windows Update – recurso amplamente utilizado desde o ano passado.

A questão começa a complicar quando, ciente do poder de dificultar ações ilegais, as empresas resolvam generalizar demais e penalizar um segmento específico de usuários. Assunto para o próximo artigo, sobre "usuários na berlinda". [web insider]

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