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Jabá na seção de livros da Amazon se amplia

08 de fevereiro de 2001, 0:00

Livraria há mais de dois anos cobra para recomendar livros e agora decide monetizar também sua lista de melhores enviada por e–mail.

Por Nenhum

Vicente Tardin

Não confie em vendedor – principalmente pela internet. Quem pensa assim está com a razão, pelo menos no caso das recomendações de livros da Amazon.com.

É ingênuo quem acredita que os livros em destaque na Amazon.com foram escolhidos por critérios puramente editoriais. Na verdade as editoras pagam pelo destaque.

A fronteira entre o conteúdo editorial e a matéria paga normalmente não é bem definida em varejistas. É o caso da Amazon.com, onde acontece uma coisa parecida com as músicas de sucesso que ouvimos no rádio.

Todos sabemos que quando uma música é muito executada em certas estações de grande audiência, não é pela escolha do apresentador, mas um negócio entre o veículo e a gravadora, conhecido no meio como jabá. Gravadoras possuem uma verba de marketing para isso. Pois não é muito diferente do que acontece desde 1998 na livraria online mais conhecida, segundo matéria publicada no jornal New York Times há exatos dois anos.

Em fevereiro de 99 a repórter Doreen Carvajal apurou que editoras já podiam conseguir espaço para seus livros nas seções "New and Notable," "What Were Reading" e até mesmo na "Destined for Greatness" mediante módicas quantias entre US$ 5 mil e US$ 10 mil, prática que obviamente afastou as pequenas editoras.

Segundo o jornal, a Amazon começou em 1998 a cobrar pequenos preços, em fase de testes, para logo ampliar a oferta deste serviço, digamos assim, às editoras.

Com 10 mil dólares se fazia um pacote especial de divulgação – no caso do lançamento de um livro sobre informática, por exemplo, o preço incluía o espaço superior da página principal de informática, um perfil do autor do livro (ou uma entrevista) e mais o "completo tratamento de análise editorial da Amazon.com."

Consultada pelo New York Times na época a Amazon preferiu amenizar o fato, dizendo que a prática só se aplicava a livros que já passaram pelo seu crivo editorial. Ou seja, pode recusar destaque a livros que não aprova. Mas a jornalista apurou com fontes junto a editoras que quando é oferecido dinheiro, raramente a Amazon recusa. Estes "cooperative advertising programs" podem se estender à venda de vídeos e CDs de música. Segundo um executivo de editora que em 99 já pagava pela recomendação, o programa funciona bem porque o cliente "sente que o livro é recomendado".

Dois anos depois a internet é outra, mas a questão permanece delicada. A Amazon se destacou no início por ser uma empresa de confiança – capaz de prestar bons serviços e até ajudar o leitor indicando os melhores títulos.

Bem, esta parte continua ganhando novos significados, pois agora em 2001, a Amazon.com vai começar a cobrar dos editores também pelos destaques nas listas de obras recomendadas que manda para os assinantes, que se cadastraram para receber por e–mail uma lista de obras recomendadas. O preço para uma recomendação pode chegar a US$ 10 mil por livro. A informação desta vez é do Wall Street Journal e da Reuters.

Até agora os titulos nos e–mails eram recomendados gratuitamente pelo staff da livraria, a critério dos editores, que já votavam em livros pré–selecionados pelas editoras. Estender a prática para os assinantes foi um pulo e representa mais uma fonte de receita para a empresa que nunca viu lucro.

Segundo o Wall Street Journal, a Amazon vai continuar recomendando também livros sem que os editores paguem, o que poderá confundir os consumidores. Para saber quais livros foram recomendados sem pagamento, o usuário terá que clicar em um link.

O departamento comercial pratica também a venda casada – um livro recomendado no e–mail inclui a compra de espaço publicitário no site, em pacote que pode custar até US$ 17 mil, ainda segundo o jornal.

O porta voz da Amazon simplesmente definiu o novo programa como uma ampliação do que a empresa já faz no site, que é cobrar das editoras por melhor exposição de seus produtos nas páginas. Se a diferença entre jabá e verba de marketing é uma questão de ponto de vista, recomendar livros mediante uma tabela de preços ainda é meio esquisito. [web insider]

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