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Linux ganha espaço e caminha para a maioridade

04 de janeiro de 2001, 0:00

No Brasil algumas prefeituras e governos poderão optar pela economia dos sistemas abertos. O sistema operacional gratuito está em ascensão nas empresas e pode ter em 2001 o seu melhor ano.

Por Nenhum

Paulo Rebêlo

Este pode ser o ano do Linux. Apesar de 2000 ter sido excelente para a Microsoft em relação ao Windows, líder de mercado com folga e principal concorrente, as distribuições do Linux ultrapassaram barreiras e superaram expectativas.

Com o advento do Windows Millennium e Windows 2000, não foi fácil ao Linux conseguir novos adeptos entre usuários leigos e domésticos. Ainda assim, é justamente nesse segmento que as distribuidoras devem investir a partir de 2001. De forma paulatina, o sistema operacional criado por Linus Torvalds perde a fama de ser genuinamente "nerd" ou restrito a experts em computação.

Diversos fatores impulsionam o crescimento do Linux em domicílios e empresas, entre eles o custo dos concorrentes. Um pacote básico de escritório da Microsoft, com Windows e Office, implica mais de R$ 1000, com licença para um usuário, enquanto alternativas tão boas quanto, para Linux, não custam nada.

Os problemas constantes no Windows, principalmente relacionados a falhas de segurança, abrem espaço para usuário mais avançado e cuidadoso conferir o Linux. Outro diferencial é o consumo de recursos das novas versões do Windows, que exigem cada vez mais do computador e, por tabela, do bolso.

Este ano a produção de pequenas novas empresas e também de grandes corporações que desenvolvem para este nicho de mercado deverá dar maior impulso ao Linux. A conquista de novos adeptos importantes é outra constante a favor. Recentemente, a petroquímica Royal Dutch/Shell anunciou a instalação do maior supercomputador do mundo, rodando Linux, com fins de exploração e produção.

A IBM começou a adotar o Linux como alternativa flexível às plataformas Windows e Solaris. Sozinha, já investiu US$ 1 bilhão no sistema operacional e aposta que já em 2004 as plataformas Windows NT/2000 serão deixadas para trás.

Além da IBM, a Compaq e a Hewlett–Packard se juntaram para formar um consórcio de promoção à nova versão 2.0 do KDE, uma das duas principais interfaces gráficas para o Linux – a outra é o Gnome.

Desafios

Conquistar o usuário doméstico é o maior desafio do Linux. Mas não tão difícil, se as empresas conseguirem manter o passo.

As distribuições Linux se tornam cada vez mais amigáveis e intuitivas e, algumas delas, como o Corel Linux (que foi abandonado pela Corel), o Linux Mandrake e o SuSe Linux, fazem sucesso fora das empresas.

Mas a dificuldade de uso e configuração não é o único empecilho; a pouca oferta de softwares em comparação ao Windows também atrapalha. A partir do momento em que novas empresas comecem a investir em desenvolvimento de software, mesmo pago, o quadro pode mudar gradativamente. É o que espera a Chilliware (ver matéria Linux vai ganhar aplicativos pagos, ao lado), a InstallShield, a HancomLinux, entre outras.

No Brasil

Os fãs brasileiros do Linux também estão aumentando rapidamente. Diferentemente do que ocorria há alguns anos, a fiscalização cresce dentro das empresas. Centenas já foram multadas e, hoje, certamente licenciaram seus produtos ou resolveram adotar soluções gratuitas.

A migração para o Linux exige investimentos iniciais para as empresas, porém recompensados a curto prazo. Os dois principais investimentos (talvez os únicos) são o treinamento do pessoal interno e a contratação de profissionais qualificados.

Investir em treinamento já foi uma dor de cabeça maior do que é hoje. Com a amabilidade crescente das versões de Linux, cada vez mais parecido com o Windows, o uso na empresa não chega a ser um problema.

Já a difusão do Linux em empresas acarreta uma demanda por profissionais qualificados e competentes. Hoje, eles são disputados pelos headhunters e, mesmo assim, são raros. (veja matéria do Clickjobs Cresce a demanda por profissionais Linux , ao lado)

A necessidade deverá criar um novo filão de mercado em 2001 no Brasil, o de cursos e especializações em Linux, a exemplo do que ocorre com os Microsoft Certified. Praticamente não há centros específicos e de qualidade para treinamentos em Linux, assim como diplomas e certificados benquistos pelo mercado. É possível que a demanda repita o que aconteceu no ano passado, com a abertura de centenas de cursos para "formação" em webdesign e webmastering.

Com a iniciativa privada atenta às possibilidades do ambiente Linux, possivelmente algumas instituições públicas farão o mesmo. Prefeituras e governos gastam anualmente bastante dinheiro em informática – onde grande parte se presta à compra e licenças de softwares.

Em dezembro de 2000, o Diário Oficial do Rio de Janeiro publicou um projeto de lei, do deputado estadual André Ceciliano (PT–RJ), que prevê a "obrigatoriedade da utilização, em sistemas e equipamentos de informática de administração pública do Estado do Rio de Janeiro, de programas abertos, livres de restrição proprietária, quanto a sua cessão, alteração e distribuição".

Estima–se que, só durante 1999, o Governo Federal tenha gastado R$ 120 milhões apenas para comprar software. Com a adoção de soluções gratuitas poderia economizar R$ 80 milhões.

Estados como Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e São Paulo também possuem projetos semelhantes tramitando em suas respectivas Assembléias Legislativas. [web insider]

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